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 Vila do Conde, sede do Concelho com o mesmo nome, é terra mui antiga começando o seu património histórico erigido nos vestígios, que do alto do morro junto ao Rio nos contemplam e que de forma documental ou erigida nos chegaram através dos tempos. Primeiramente um castro sobre o qual provavelmente, se começou a construção de um castelo que daria lugar a um Convento trecentista, que por sua vez foi substituído pelo actual Convento de Santa Clara, onde hoje funciona o Reformatório de Vila do Conde.
Se dizemos “provavelmente se começou a construção de um castelo” é porque conta a lenda que D. Afonso Sanches, infante bastardo de D. Dinis, muito embora tivesse resolvido começar uma construção deste tipo de edificação, após um sonho em que lhe surgiu a obra já começada e dela subindo uma elevadíssima escada em direcção ao céu, augurando que a vontade de Deus se teria manifestado no sentido de naquele sítio ser edificada uma casa de oração, de pronto se decidiu pela alteração do inicial projecto, construindo um convento. Assim a primeira pedra foi lançada no ano da Graça de Nosso Senhor de 1318.
Continuando o nosso passeio pelo vasto monumental histórico erigido encontramos alfabeticamente ordenados os seguintes monumentos:
Aqueduto de Vila
do Conde – “Monumento Nacional desde 1910”, iniciado em 1705 e concluído em 1914. A Capela de Santa Catarina, situada no extremo norte da cidade, vetusta e singela, é segundo Cunha e Freitas do ano de 1518. Está classificada “Imóvel de Interesse Público” desde 1982.
A Capela da Senhora da Guia, mui antig a e com várias remodelações desde a sua fundação até aos dias de hoje, tem história quase milenar. Tendo passado por várias invocações, deparamo-nos com um documento de 1059 referindo-se-lhe como Ermida de S. Julião Mártir, quiçá a primeira invocação S. Julião dos Pescadores. Das confrarias da Diocese de Braga, a de Nossa Sra. da Guia e S. Julião dos Pescadores é por certo a mais antiga. Porém o IPPAR, entendendo contrariar todas as provas documentais existentes, resolveu apontar como data de fundação os Sécs. XIV/XV.
A Capela N. Sra. do Socorro, mais parecendo templo muçulmano que cristão dada a sua cúpula abobadada, é de planta quadrangular. O amplo pórtico em arco perfeito rasga a sua alva fachada quase até á cornija ornada com merlões em forma de flor-de-lis. Ao seu lado direito, pequeno campanário encimado por uma cruz. Tendo sido mandada erigir por Gaspar Manuel Carneiro em inícios do Séc. XVII, foi durante
largos anos conhecida como Ermida de N. Sra. da Boa Viagem. Logo à entrada avistamos a seguinte inscrição “Esta Casa da Invocação de Nosa Sora do Socorro mandarão fazer por Sua Devação Gaspar Manoel Cavaleiro Professo da Ordem de Christo Piloto Mor da Careira da India e China e Japão e Sua Molier Barbosa Ferreira Dalmeida Ano (1603)”. A sua sepultura, com brasão de armas, encontra-se no centro do pavimento da
capela. Está classificada “Imóvel de Interesse Público” desde 1978. A Casa-Museu José Régio em homenagem ao sobejamente conhecido escritor, de seu nome José Maria dos Reis Pereira, que aqui viveu e morreu. A Casa do Submosteiro edifício setecentista, por vezes mencionado como Casa dos Vasconcelos. É imóvel de Interesse Público desde 1977 e
Auditório Municipal desde 1991. O Convento de Sta. Clara e a Igreja de mesmo nome a si adossada, dos Sécs. XVIII e XVI respectivamente, são considerados ex-libris de Vila do Conde. O Forte de S. João Baptista é construção iniciada na primeira metade do Séc. XVII, muito embora tenha sofrido até o século seguinte várias fases de construção que se foram arrastando até aos dias de hoje, permanecendo ainda por concluir.
De uma planta inicial pentagonal foi construído em granito da região. Três guaritas de cúpulas piramidais quebram a monotonia das suas linhas. Da ponte levadiça apenas nos resta a história, e o brasão de armas reais, encimando a porta de acesso, encontra-se em adiantado estado de deterioração. Das várias construções existentes no seu interior, apenas uma chaminé se encontra datada – 1711. Está classificado “Imóvel de Interesse Público” desde 1967.
A Igreja da Lapa, obra que se nos apresenta a caminho par a Touguinha, é um magnífico templo barroco o qual se supõem ter sido desenhado por Nicolau Nasoni. Com Coroa Real esculturada no vértice do frontão triangular que remata sua harmoniosa frontaria, é encimada por uma cruz e ladeada por duas estátuas, representando S. Bartolomeu e S. Lourenço, em tamanho natural. Subindo ampla escadaria, vamos deparar-nos com a eleghância do conjunto, cuja frontaria já
descrita é enquadrada lateramente por duas simétricas torres sineiras, divididas exteriormente em dois tramos. O pórtico principal, ostentando uma decoração ao estilo “rocaille”,é sobrepujado por enorme janelão a terminar na cornija. O seu interior é de uma só nave. Na Capela-Mor deparamos com a imagem da Padroeira ladeada por Sta. Efigénia e Sto. André Apóstolo. No corpo da Igreja, do lado do Evangelho, encontra-se o altar de S. Bartolomeu. Segundo as “Memórias Paroquiais” de
1758 “a capela de S. Bartolomeu de fundação antiquíssima (...) por se achar muito arruinada, tem também a invocação de N. S. da Lapa...”. A Igreja da Misericórdia, templo que deu nome à rua onde se encontra tem a sua frontaria com pórtico renascentista de recorte semicircular ladeado por duplas colunas jónicas que sustentam a arquitrave. Nesta, sobrepujando as ditas colunas, encontramos as imagens de N. Sra. da Conceição e o conjunto da Visitação (N. Senhora e Sta. Isabel). A única outra abertura na alva fachada é o amplo
janelão gradeado de dintel curvo. Entrando o portentoso pórtico, deparamo-nos com uma única e ampla nave revestida a azulejos datáveis de 1692. O órgão que podemos admirar, veio do extinto Convento de S. Simão da Junqueira em 1773. Adossada à sua direita ergue-se a Casa da Irmandade que ostenta no seu telhado simples campanário pétreo.
Segundo Joaquim Pacheco Neves, a sua datação situa-se para os finais do Séc. XVI, já uma recente publicação do IPPAR, a situa em 1520. O Cruzeiro que se encontra defronte da Igreja data de 1713. Estes dois monumentos conjuntamente com a Casa da Misericórdia (instituída em 1499) por Decreto de 1982 foram classificados “Imóveis de Interesse Público”.
Os Paços do Concelho, quinhentistas, apresentam esculpidas em relevo as armas de D. Manuel, no tímpano do frontão triangular que coroa o pórtico em esquadria e a cantaria debruado. Uma pesada escadaria, nos ascende a este pórtico e ao andar nobre. Em 1944 foram comemorados os quatrocentos anos de existência deste edifício pertencente à Câmara Municipal deste Concelho.
Mesmo em frente e a curta distância da escadaria, ergue-se o Pelourinho Manuelino, que se encontra apoiado numa base octogonal, apresentando numa das faces abertura para uns escassos três degraus de acesso ao seu topo. O seu fuste é constituído por quatro toros torcidos e unidos em feixe, sensivelmente a meio, por um cordame. Rematando-os, quase no cume, nervuras torais, encimadas por pequenas edículas de remate semicircular em baixo relevo. É coroado por uma peça esculturada bulbiforme e com diversas aberturas.
No alto, uma esfera da qual como que querendo rasgar os céus que o rodeiam, um estilete metálico se pode observar. Lateralmente afixado, um braço armado de um pequeno alfanje. Segundo um desenho publicado em 1887 n’ “O Minho Pitoresco”, duas alterações existem no actual Pelourinho: as edículas, essas não existiriam no original; porém nessa época, seria observável um galo empoleirado no topo da vareta
De entre os muitos pelourinhos existentes no nosso País, este é um dos que se encontra perfeitamente datado, pois sendo da época Manuelina consta no Foral de 10 de Setembro de 1516. Está classificado “Monumento Nacional” desde 1910. Não muito distante, a igualmente Manuelina Igreja Matriz de Vila do Conde (S. João Baptista). Está classificada “Monumentro Nacional” desde 1910. Lá bem junto ao mar, o Padrão a lembrar a primeira tentativa de desembarque das tropas liberais de D. Pedro, as quais viriam a ser lembradas para todo o sempre como “Os Bravos do Mindelo”. Para além dos monumentos já brevemente descritos, não podemos deixar de lembrar a Casa
do Vinhal, a Capela de S. Bento, a Capela de S. Pedro de Formariz e a Capela de S. Roque.
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