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Falar de S. Cristóvão de Rio Mau é sem dúvida falar da sua Igreja Paroquial. Esta tem dois momentos diferentes na sua construção. No primeiro, datando de meados do Séc. XII, ter-se-á construído a capela-mor, cuja planta é rectangular em cantaria regular e cobertura abobadada. No segundo, datando já de finais do mesmo século é a sua nave. Esta Igreja Paroquial de Rio
Mau de estilo Românico, apresenta-se-nos com uma fachada marcada pelo gigante gótico flanqueando o portal. Este é de 3 arquivoltas separadas por bandas côncavas perladas e assentes em colunas lisas rematadas com capitéis adornados com motivos fitomórficos e zoomórficos, com entrelaçados nos ábacos.
 Envolvendo o gigante gótico, novo arco duplo também apontado, sendo a parte exterior ornamentada por pétreo entrançado, idêntico ao que encontramos nos ábacos. O tímpano é adornado por esculturas em baixo relevo sugerindo
influência galega. A figura central representada com paramento, mitra baixa na cabeça, báculo na mão esquerda e a direita levantada em posição de abençoar, sugere Sto. Agostinho, Patrono da Congregação dos Cónegos Crúzios. Este está ladeado por figuras de diáconos mostrando os livros sagrados. Num extremo, um atlante que segura entre os braços levantados um crescente lunar mas, segundo interpretações mais antigas, seria um menino do coro com a respectiva bandeja. No outro, uma ave coroada por representação solar. Na opinião de Manuel Real, este conjunto composto pelo pássaro que considera ser uma águia, o sol, a lua e o báculo, serão os mais representativos atributos iconográficos de Sto. Agostinho.
A frontaria é rematada no vértice da empena por uma sólida e invulgar cruz circular. Penetrando o seu interior, maravilhamo-nos com triplo arco de volta perfeita envolvido por motivos geomé tricos entrelaçados. De carácter ímpar entre o nosso românico são os capitéis.
Um deles apresenta uma parelha de felinos cuja ferocidade é simbolicamente contida por uma rede que os liga um ao outro. Um outro, provavelmente o mais estudado, apresenta-nos três cenas distintas cada qual na sua face. Na face voltada para a nave, está representado um trovador com seu instrumento.
Numa das laterais, dois guerreiros agarrando um terceiro. Na face oposta, um outro guerreiro que em seus braços segura uma figura com um bastão entre as suas mãos. Uma das explicações históricas para este capitel, prende-se com a derrota e prisão de D. Afonso Henriques por Fernando II de Leão, na desastrosa Batalha de Badajoz.
Um outro capitel, no portal norte, apresenta-nos uma sereia e um tritão em estreito abraço. Esta representação é provavelmente única na nossa arquitectura medieval. Está classificada “Monumento Nacional” desde 1910.
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