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 O Convento Santa Clara é edifício do Séc. XVIII fundado por D. Afonso Sanches, e tendo sido iniciado em 29 de Junho de 1788 viu as sua construção interrompida na viragem do século com as invasões Francesas. Foi retomada em 1816 e novamente interrompidas em 1825. A 21 de Maio de 1823 assiste ao falecimento da sua última freira e abadessa. Este verdadeiro ex-libris deixa a cidade descansando nas suas costas enquanto espraia o seu olhar nas outrora límpidas águas do Ave, a Ocidente.
Com planta em “U”, ergue-se em 4 pisos, tendo o primeiro as suas paredes ligeiramente inclinadas o que lhe confere um determinado ar de fortaleza. A fachada, de cinco tramos, é dividida por largas pilastras encimadas por 2 fogaréus. O tramo central é rematado por frontão triangular em cujo tímpano se pode observar imponente escultura. No seu vértice equilibra-se uma imponente estátua de um elefante. Num total de 17 janelas por cada andar superior, as dos dois últimos são de sacada e gradeadas. A
Igreja de Santa Clara, de estilo gótico, é tudo quanto r esta do trecentista Convento de Sta. Clara, muito embora tenha sofrido algumas modificações no Séc. XVI. Na “História de Arte em Portugal”, coordenada por Aarão de Lacerda, assim se lê relativamente a uma das fachadas desta Igreja: “apenas uma rosa a florir como único valioso pormenor decorativo, entre dois contrafortes de cimos globados, no topo ocidental”.
A austeridade sóbria das paredes da nave e transepto é aligeirada por uma fileira de merlões que as coroa. A iluminar o ousia e absidíolos, emolduradas por arcos de volta perfeita, contrafortados por gigantes de ressaltos, esbeltas frestas rasgam a sua face.
 Entrando no templo, na Capela de N. da Conceição rasgada na fachada norte, deparamos com os Túmulos de D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins, fundadores de Sta. Clara, bem como dois pequenos túmulos onde jazem seus dois pequenos filhos.
Segundo Monsenhor Augusto Ferreira, estes sarcófagos pertencerão à primeira metade do Séc. XVI, pois dos primitivos, Séc. XIV, deixou-nos breve e concisa descrição em documento datado de 1525. Relativamente a seus túmulos, os fundadores deixaram instruções bem claras “Outrossim, porque a sepultura de dentro
das igrejas nos semelha que não era senão para homens santos ou mui chegados a Deus, e para não serem os nossos moimentos a par dos altares nem tão altos como eles, não nos quisemos mandar deitar dentro na igreja nem pôr aí nossos moimentos, mas mandamo-los pôr aí fora a par da igreja, em uma galilé que aí mandámos fazer para sepultura de nós e dos do nosso linhagem e dos outros que aí houverem de deitar; e porém defendemos que nenhum não (se) deite dentro da igreja em nenhum lugar, em terra nem em moimento alçado: ca pois nós temos por razão – que a igreja e o mosteiro fundamos – de nos não deitar em ela, razão é que o não façam outros, que vierem depois” . A carta foi f eita
no próprio mosteiro de Santa Clara, pelo Tabelião Público da Vila. – Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira . Nos braços do transepto deparamo-nos com outros dois túmulos. O de D.
Fernando Menezes e sua mulher D. Brites de Andrade, senhores de Cantanhede, descendentes dos fundadores e protectores do Convento de Sta. Clara. A Igreja e Convento de Sta. Clara estão classificados “Monumentos Nacionais” desde 1910.
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