VALONGO

- Valongo, cidade sede de Concelho, com mais de 19 Km², é emoldurada pelas restante quatro freguesias, servindo-lhes de centro. Pertencendo à AMP (Área Metropolitana do Porto) e servida por excelentes ligações rodoviárias a outras cidades do distrito continua, no entanto, a ter grande parte do seu tráfego pela EN15 que a atravessa de lado a lado.

Através da A4 – que desemboca no Jardim com o Monumento ao Mineiro – podem  lograr-se outros destinos com as ligações que esta tem à A3 (direcção ao interior norte), ao IC24 - IC1 (acedendo à orla costeira setentrional), ou à própria A1 com destino a Lisboa e ao Sul.

Por volta do Séc. V, povos bárbaros invadiram o ocidente peninsular. Dentre estes, os Suevos criaram o primeiro estado independente desta região.

Os romanos, procurando defender as suas minas auríferas, ter-se-ão entrincheirado na Serra de Sta. Justa e na Serra do Raio.

 Não conseguindo os seus intentos, fugiram ao longo do vale que, por o terem achado muito longo, lhe passaram a chamar "Vallis Longus".

No ano de 560, Theodomiro, Rei Suevo, recorreu a S. Martinho, para obter a cura de um seu filho. Tendo conseguido o pretendido, converteu-se ao cristianismo com todo o seu povo.

Mandou então alguns seus mensageiros a França com a missão de levarem oferendas a S. Martinho e trazerem relíquias do Santo que mandara construir no Porto.

No regresso, seguindo a estrada romana, subiram Aguiar de Sousa para Valongo. Encontrando-se sequiosos, pararam para descansar e beber água junto a uma cisterna (pia). Daí o nome Serra da Pia, que existe no alto do monte.

 Aproveitaram então a paragem para evangelizar a população, e aí construíram uma pequena igreja com invocação a S. Martinho. Assim, a localidade ter-se-á passado a chamar S. Martinho de Valongo que aparece já referida em documentação do Séc. X: “Em 897 duou D. Gundezindo ao mosteiro de Laura muitas egrejas e entre ellas Santa Eulalia de Gondemar, S. Pedro de Kauso, S. Martinho de Vallongo, (...)”.

S. Martinho de Valongo, foi constituído freguesia em 1030, tendo como sua igreja matriz a Capela de N.ª Senhora da Hora.

 Esta, é a mais antiga capela de Valongo que datando do tempo dos Godos, terá, com o decorrer dos tempos, sido, inúmeras vezes restaurada e reformada. No seu interior encontram-se as imagens de S. Gonçalo, S. Simão e Sto. Antão.

Em 1062 o padroado da Igreja da Freguesia de Valongo foi doado ao Mosteiro de S. Bento de Rio Tinto.

Quando a 20 de Maio de 1141, D. Afonso Henriques “fez couto” destas e muitas outras terras às freiras do Mosteiro de S. Bento de Rio Tinto, já Susão pertencia a Valongo.

Fez couto por suas orações e quinhentos meravidis de ouro que lhe deu a Abadessa D. Hermesenda Guterres.

O meravidis, é moeda antiquíssima que já os Godos utilizavam, não se sabendo porém de onde terá vindo nem quando se terá começado a usar. Certo porém, é que existiram povos Árabes emigrados para África, que se chamavam "marabetinos", os quais terão trazido essa moeda para a Península quando em 1085 o rei mouro de Sevilha os chamou para combater D. Afonso VI, avô materno de D. Afonso Henriques.

Essa carta de couto foi assim iniciada: “Ego egrejius rex Alfonsus gloriosissimi Hispaniae imperatoris nepos et comitis Domini Henrici et Reginae Tharasiae filius Dei vero providentia tutius Portugaliensis provinciae princeps (....)”.

O padroado conjuntamente com a autoridade concedida pelos reis aos senhores feudais, originou muitos abusos por parte destes últimos, que chegavam mesmo a guerrear o rei na posse das terras. Um dos homens que assim decidiu agir foi D. Pedro Poiares, pelo que D. Sancho I mandou missiva ao Bispo do Porto, D. Martinho, nos seguintes termos: “Sancho por graça de Deus Rei de Portugal ao Reverendissimo amigo seu Martinho, bispo da cidade do Porto, saude e sincero amor como aquelle a quem ama e de quem muito confia. Mui grandes agradecimentos vos dou por guardardes tambem a vossa villa do Porto e para qui veio e conheço bem que me amais amim e a meu reino e a mesma confiança tenho eu em vós que acudireis por tudo a que tocar a meu serviço e honra. Sobretudo quero que saibais que Pero Poiares, vosso primo é meu inimigo e anda com meus inimigos que destroem minhas terras e fazem n’ellas muito damno. Pelo que vos rogo e peço muito pelo amor de mim que não o recebaes em vossa casa nem na vossa cidade do Porto, porque segundo sou informado quiz, e quer-nos roubar. E direis e defendereis os vossos homens: convem a saber aos moradores da cidade do Porto que não o recebam em suas casas nem na vossa cidade do Porto e se ahi vier se levante contra elle ou o prendam e m’o mandem ás mãos, porque eu bem sei que se vós isto fizerdes firmemente elles farão por amor de vós quanto quiserdes. Portanto vos mando esta minha carta aberta para que lh'a mostreis e veja eu o que elles fazem por vosso mandado.”

Por fim o rei pôde mandar contra ele um exército que venceu no lugar de Terrônhas.

Consta no Nobiliário atribuído a D. Pedro, conde de Barcelos, titulo 40: "D. Pedro Mendes de Poiares, e que morreu na lide de Trasconho ante Paço de Souza & Vallõgo, e matouo D. Pero Roiz de Pereira com que el ouve a lide. E este D. Pedro Mendes era sobrinho de D. Pero Roiz filho de sa prima com irmãa. E porque Dõ Pedro Roiz fez a lide com rezão ajudou-o Deus. E morreram hi muitos fidalgos de uma e outra parte.”

No reinado de D. Afonso III, o orago da igreja de Valongo era já S. Mamede. Conta-nos a lenda que certo dia no decorrer de uma procissão saída de Rio Tinto para Valongo, começou a chover copiosamente. Para se abrigarem da chuva, pessoas e andor, recolheram dentro da Igreja de Valongo, de onde o povo valonguense nunca mais deixou a imagem sair.

Uma das mais antigas capelas de Valongo é a Capela de Nossa Senhora das Neves que aparece mencionada no Catálogo dos Bispos do Porto que data de 1620.Com a caridade da população, foi, em 1754, a capela restaurada e o pároco grato mandou escrever na porta principal da capela “Hoc Mariae templum delapsum devotio atque pietas ejus populi eum erexit.” Também por esta altura se edificou o cruzeiro que hoje está no Calvário. Nesta capela encontramos as imagens de Nossa Senhora das Neves, S. Joaquim, S. José, e umas poucas mais.

                A Capela de Nossa Senhora de Chãos, edificada num pequeno planalto da serra de Valongo, data de 1625.

Como se poderá observar na inscrição escrita sobre a porta principal, esta capela foi mandada construir por Thomé António: “ Esta hermida mandada herigir em honra da Virgem, com o auxilio de devotos por Thomé António, natural de Campanhã por haver escapado do naufrágio acontecido na sua vinda do Brazil no anno de 1625. Foi reedificada a expensas de Joaquim Marques da Nova, natural desta villa no anno de 1866.”

A Capela do Senhor do Calvário, do início do Séc. XIX, terá assim sido chamada por se localizar num monte nomeado Calvário.

Esta capela foi edificada no cumprimento de uma promessa feita por João Monteiro felgueiras aquando das Invasões Francesas.

Em troca só pedia que o Lugar da Valga não fosse pelos invasores assolado.

Em 1813, ter-se-á começado a sua construção e mais tarde em 1871 foi restaurada e ampliada.

Já no fim do século, mais precisamente em 1894, José Gonçalves de Oliveira Reis mandou reedifica-la passando então a apresentar a fachada que hoje tem.

Encontra-se esta no centro de frondoso jardim, o qual também alberga uma imagem de N.ª Sra. de Fátima.

A protegê-lo, gradeamento de ferro, em cujo portão se lê “Reedificação geral pelo benemérito José Gonçalves d’ Oliveira Reis 1894".

Como monumento religioso, o Cruzeiro do Padrão, também conhecido por Cruzeiro do Senhor do Padrão ou Padrão da Portela é assim descrito   pelo P. Lopes Reis:“ É ainda digno de mencionar-se como monumento religioso o Senhor do Padrão se ergue no meio da rua d’este nome na forma de um oblisco de granito de nove metros de altura, tendo na base circuitada por uma grade de ferro a imagem de Santo António, feita na mesma pedra. Do alto da columna que termina em cruz está pendente a imagem de Jesus Cruxificado que foi laborada com uma perfeição inescedivel. Conta-se que os francezes quando aqui passaram, os profanadores das egrejas e blasphemadores de Deus, ao avistarem essa imagem, se descobriram reverentemente. O operário que a fez, dizem,trabalhava apenas uma hora por dia, we só uma paciencia extraordinária,podia levar a cabo tão delicada obra. Na face principal do pedestal tem inscripta a seguinte oração: "Bendito e louvado seja o SS. Sacramento da Eucharistia, Fructo de ventre sagrado da Purissima Virgem Maria”.

É "Monumento Nacional" desde 1910

Sendo Valongo terra de ardósia, não poderia, a sua Junta de Freguesia, deixar de utilizar tal material na sua construção.

Assim deparamos com um edifício moderno, mas que respeitab as tradições, já que o seu telhado, todo ele é revestido a esse mesmo material.

Outros valores patrimoniais são representados por: Casa do Anjo S. Miguel, Capela de Sta. Justa (Séc. XI), Capela de Na. Sra. das Neves (já existente em 1580 com o nome de Na. Sra. da Luz), Capela de S. Bruno (reedificada em 1825), Capela do Senhor do Calvário ou Senhor da Restauração(1813), Capela de Na. Sra. das Chãs (1625), Capela de S. Bartholomeu (já mencionada no catálogo dos Bispos do Porto de 1610), Capela do Susão (1780), Capela dos Passos (finais do Séc. XVII), Padrão do Escoural ou "Escorial"(1668) - outros autores apontam para 1754 - , Câmara Municipal (início do Séc. XIX), Escola do Conde de Ferreira (1868 - 1870), Escola André Gaspar (1896), Estação de Caminho de Ferro (1875).

Dentro do Edifício da Junta de Freguesia, em quadros colocados nas suas paredes, fotografias antigas fazem-nos recuar aos tempos antigos dos nossos Avós.