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- Ermesinde ou Caminho Forte, terá sido o
nome que os Suevos, quando por volta do Séc. V, ocupando
território então romano, deram à via principal que ligava Cale
(Porto) a Bracara Augusta (Braga) – “sobre o termo de Ermesinde
podemos dizer que este topónimo é de origem germânica e se formou de dois
elementos: Erm, derivado do germânico «Airmes», que significa forte e de Sinde,
vindo de «Sinthes» – caminho.”
Muito mais tarde, depois da reconquista cristã e da criação do
reino, pelo Séc. XVII, S. Lourenço de Asmes é uma paróquia
perfeitamente definida, pertencente ao concelho da Maia, que engloba Ermesinde,
Vilar, S. Paio, Costa, Alto dos Sonhos, Sá, Travagem, etc... Esta paróquia
recebe este nome porque o padroeiro da zona do Asmes, afluente do Leça,
é S. Lourenço. Zona do Asmes, são todos os campos agricultados e
respectivos núcleos habitacionais de lavradores localizados entre o Asmes
e o Leça.
Com a elevação de Valongo a Concelho em 1836 a
freguesia de S. Lourenço de Asmes deixou de pertencer ao Concelho da
Maia e foi integrada no novo Concelho.
Na segunda metade do Séc. XIX, com a implementação dos
caminhos-de-ferro, uma estação de comboio é construída em S. Lourenço de
Asmes.
Embora à Estação tenha sido dado o nome de Estação de
Ermesinde, só em 1911 a freguesia passa a usar tal topónimo. É nesta
Estação que as linhas do Minho e Douro, vindas num só ramal desde
o Porto, se bifurcam.

A implementação dos Caminhos-de-ferro e dos
Eléctricos acelera o progresso do comércio e da indústria, e as águas
límpidas do Rio Leça fizeram de Ermesinde uma estância balnear do
Porto. Assim e justamente em 1938 Ermesinde é promovida a vila
e finalmente em 1990 a cidade.
Dada a sua situação estratégica, a
Estação de Ermesinde continua hoje a ser de grande importância para
todos aqueles que, seja para uso pessoal, seja para transporte das mais
va riadas mercadorias, utilizam os serviços dos Caminhos-de-ferro.
Entre as capelas de Ermesinde a mais antiga é talvez a Capela
de S. Silvestre. Já no Séc. XVII, no Catálogo dos Bispos do Porto
aparece mencionada.
A Capela do Senhor dos Aflitos, que impressiona pela
sua simplicidade, julga-se datar do séc. XIX.
A primeira referência à Quinta da Mão Poderosa data dos
princípios do Séc. XVIII relatando que esta seria pertença de um tal Francisco
da Silva Guimarães que em 1745 a doaria aos Eremitas Descalços de
Sto. Agostinho, tendo estes obrigação de ali fundarem um Convento ou
uma Igreja.
Esta doação teria sido impugnada por Francisco Aranha
Ferreira tornando-se necessário recorrer ao rei D. João V, de quem
doadores e religiosos alcançaram a necessária provisão, em 19/04/1747.
Em reconhecimento ao favor real, alcançado certamente por sua esposa D.
Maria Ana, filha do imperador Leopoldo I, os religiosos mandaram
colocar na frontaria da igreja uma águia bicéfala e as armas imperiais
da casa da Áustria, da qual a rainha era oriunda.
Nascia assim o
convento sob a protecção real e, em 12/10/1749, era lançada a primeira
pedra.
Ladeado por duas torres sineiras, o seu pórtico é rematado por um
frontão triangular interrompido por um nicho barroco onde se aloja a imagem
pétrea de S. Pedro, também esta ladeada por duas janelas altas. É este
conjunto encimado por um janelão de recorte mistilíneo. Acima da cornija, é
lançado um mistilíneo frontão da empena, em cujo tímpano podemos observar a
pedra de armas da Casa da Áustria. A ladeá-lo, dois pináculos.
Entre 1832 e 1833, durante o Cerco do Porto, o
convento foi usado como hospital das forças absolutistas de D. Miguel e
era conhecido como Hospital da Formiga. Com a vitória de D. Pedro,
extinguem-se as ordens religiosas em Portugal e desaparece o Real Convento
de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa. Em 1842 foi
arrematado em hasta pública por José Joaquim da Silva Pinto. Nesta data,
funciona no antigo convento um colégio para as famílias Miguelistas que
não puderam emigrar. Nesta altura os alunos usariam um emblema com uma formiga
recordando o provérbio da Sagrada Escritura “Vade ad formicam, piger,
et disce sapientiam”, sendo por isso conhecido como Colégio da Formiga.
Em 1848 o colégio foi fechado e 29 anos mais tarde o antigo convento
recebe a secção masculina do Colégio de Paço de Sousa. O colégio sob o
nome de Colégio do Espírito Santo, acaba finalmente por fechar em 1910.
É a 28 de Dezembro de 1912, que é deferida por despacho
Presidencial a autorização para criar “um instituto particular de ensino
secundário em Ermezinde, sob a denominação de Colégio de Ermezinde” que
desde 1948 passa a ser propriedade da Diocese do Porto. Junto ao
edifício principal está uma pequena Igreja de invocação a Santa
Rita cuja Festa é no 2º Domingo de Junho.
A Igreja Matriz, nova, foi construída na década de setenta
e é de cariz contemporâneo, a antiga datava de 1870 e segundo
informa a Grande Enciclopédia “na fachada tem, sobre a porta, um óculo e,
sobre este um nicho com a imagem de S. Lourenço, de pedra; à esquerd a, a tôrre
sineira, cujos sinos foram do convento da Formiga. No adro, agradável cruzeiro,
moderno: coluna compósita, assente em pedestal e rematada por uma esfera com
cruz”.
O palacete Vila Beatriz onde funciona o actual Centro
Sócio-Cultural de Ermesinde é também digno de menção assim como o Palacete
do Mesquita, edifício do início do século XX que hoje está integrado
na Quinta do Colégio de Santa Joana. A Fábrica de Fiação e Tecidos de
Sá também da primeira década do Séc. XX, constitui um belo exemplar
da arquitectura industrial do concelho.
Uma das festas tradicionais do concelho de Valongo é o Enterro
do João que ocorre no dia de Carnaval em Ermesinde.
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