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Perdem-se na noite dos tempos, os vestígios de ocupação desta
região. Machados, pontas, facas e muitos outros objectos toscos, de pedra
lascada, são marcas visíveis da passagem do homem do Período Paleolítico
e Mesolítico, assim como instrumentos de xisto e osso, bem como pequenas
peças de cerâmica, demonstram o seu cultivo artístico bem como a continuidade
da sua presença pelo Neolítico – pedra polida - adentro. Entre os primeiros povos, a habitarem estas
paragens, encontra-se o povo Celta. De origem Celta será, por
exemplo, a freguesia de S. Martinho do Campo. Legado também seu,
acredita-se ser a Casa da Orca, uma caverna aberta pelo homem numa
enorme rocha. Pela denominação de lugares como, por exemplo, Evanta (contracção
de Avé ó Anta) e Monte das Mamôas – sugerindo a milenar existência
destes núcleos megalíticos – conclui-se que já aqui existiram estes tipos de
sepulturas. Constituídas por uma câmara formada por blocos de pedra e tapadas
por uma grande lage, cobertas por um monte de terra e pedras, as mamôas
julga-se datarem dos inícios do IIIº e do II º milénio A.C. …Nelas,
os mortos da comunidade eram sepultados.
No final do Séc. IV A.C. – Idade dos Metais – por
todo o território português começam a surgir povoados, que se fixam no alto de
montes e que para se protegerem constroem muros e fossos. Estes são conhecidos
como Castros.
A Civilização Castreja, cultura específica da Península
Ibérica, com raízes no Neolítico, terá ocupado o território
pertencente ao Noroeste Peninsular, sendo os Castros compostos
por conjuntos de várias habitações. Nalguns casos, cercadas por várias linhas
de muralhas, isto é, um povoado fortificado. Castro de Pias, Castro
do Couce e Alto do Castro são designações que nos remetem a memória
para essa época. Podemos encontrar três tipos de construções, que, por si
próprias, nos ilustram o processo de Romanização da Península.
Habitações de forma redonda, com mastro central de suporte e cobertura de
madeira ou de colmo, serão as mais antigas e datarão do Séc. V e IV A. C. .
A influência Romana aparece já patente nas habitações de forma
rectangular mas arredondadas nas traseiras. O Período da Ocupação Romana
é completamente ilustrado nas habitações grandes, rectangulares, com banco
corrido à volta da sala, para a assembleia.
A partir do Séc. VIII, vamos encontrar para Norte e
para Sul do rio Douro, vasto território pertencente a Roma;
o Território de Anégia. A documentação da época (séc. VIII / séc. XI)
fala-nos dele mostrando-o a ocupar um espaço geográfico que ia desde as terras
superiores do rio Ferreira, aos vales do rio Sousa e do rio
Tâmega, passando para o sul do rio Douro até metade do rio Paiva.
A rodeá-lo ficavam os territórios da Feira, Lamego e Portucale.
O domínio romano de toda esta região está bem patente nos
vestígios que ainda hoje podemos encontrar espalhados por Valongo. E se
a Necrópole Romana da Corredoura em Campo comprova, naturalmente,
a sua fixação no território, os fojos da Serra da Pia e de Santa
Justa, entre os quais os Fojo das Pombas, o Fojo da Valéria e
os Três Fojos Sagrados, constituem prova da sua exploração do ouro e
prata, riquezas que a região oferecia.
Também prova da presença dos romanos é uma lápide que se encontra
perto de Chão do Guizo dizendo “R. Fugati” que quererá dizer Romanos
Afugentados. Esta fuga terá ocorrido aquando da invasão destas terras pelos
Alanos, Vândalos e Suevos, que originaram a debandada desordenada dos
romanos que cansados gritariam Vallis Longus! Vallis Longus!, cuja
contracção dá Valongo.
Com o domínio dos Visigodos sobre os Suevos, a Península
Ibérica ficou politicamente unificada e estabeleceu-se o Cristianismo,
mas não por muito tempo pois, desafiados pelo esplendor das suas riquezas e posicionamento,
não tardaram as invasões mouras. Toda esta região, foi tomada por Almançor
em 995. Diversas crónicas referem as campanhas de Almançor no Castelo
de Aguiar de Sousa. Tanto quanto se sabe, foi aí que esse chefe mouro
sofreu grandes derrotas.
A Norte do Douro, apesar da sua longa permanência, não
existem muitos vestígios do domínio mouro, excepto talvez ao nível linguístico,
de que o vocábulo Alfena é exemplo.
As Reconquistas Cristãs não tardaram e segundo a lenda,
em fuga, os mouros diriam: “ Fica-te para ahi, diziam, serra de Cuca-Ma-Cuca, onde
os pastores atiram com o ouro a suas cabras, julgando ser pedras.”
S. Martinho de Valongo, que segundo Pinho
Leal viria a ser conhecida como S. Martinho do Campo, aparece já
referida em documento de doação encontrado na Universidade de Coimbra “Em
897 duou D. Gundezindo a este mosteiro (de Lavra) fundato ab antiquo in
ripa maris muitas egrejas e entre ellas Santa Eulalia de Gondemar, S. Pedro de
Kauso, S. Martinho de Vallongo, (...)”.
Em 1030 fundou-se a freguesia de Valongo cuja igreja
matriz era a Capela N. Senhora da Hora. Em 1062 o padroado da
Igreja da Freguesia de Valongo foi doado ao Mosteiro de S. Bento de Rio
Tinto fundado por D. Diogo Trutisendes. Até 1140, Susão
pertenceu a S. Martinho passando nesta data e por doação de D. Afonso
Henriques ao Bispo do Porto D. Pedro Ribaldes a pertencer a Valongo.
Quando em 1141, D. Afonso Henriques “fez couto” destas terras ás freiras
do Mosteiro de S. Bento de Rio Tinto, já Susão pertencia a Valongo.
Pelas Inquirições de 1258 é-nos dado saber que na altura o
actual concelho estava dividido pelo Julgado de Aguiar de Sousa, que
incluía S. Martinho de Campo e Sobrado e o Julgado da Maia
a que pertenciam Valongo, S. Vicente da Queimadela (Alfena)
e S. Lourenço de Asmes (Ermesinde).

O Couto do Mosteiro de Vilela tinha, nessa data, vinte e
três casais. O Mosteiro de Vandoma, coutado por D. Afonso Henriques
tinha, também nesse mesmo ano, vinte e sete casais, todos do Mosteiro,
excepto seis, mas todos fazendo foro ao Rei. O Mosteiro de Vilela,
possuía parte da Igreja de Santa Maria de Duas Igrejas e a de S.
Martinho de Campo.
Foi no reinado de D. Afonso IV que na “Villa” de Valongo
foi criada a Picota ou Pelourinho, para castigar os criminosos,
humilhando-os na exposição ao povo.
Em 1519,
D. Manuel no Foral das Terras e Concelho da felgueiras, divide o actual
concelho em Valongo Susão e Valongo da Estrada e determina os
foros a pagar ao Rei. Este foral informa-nos ainda que os habitantes de
ambos os locais eram reguengueiros. Nele, podia-se lêr:”Dom Manuel,
Per graça de Deos, Rey de Portugal e dos Algarves, daaquem e dalem mar em
Africa Sinhor da Guinee e Comquista e Navegaçam e Comercio Ethiopia, Arabia,
Perssia e da India: A quantos esta Nossa Carta de Forall dado pera sempre ao
Concelho da Maya, virem, fazemos saber (...) que todolos óros e trebutos da
dita terra se paguem na forma e modo seguinte:Titulo de Vallongo sussaão e
Valongo da estrada. Item ham de pagar estes logares, a saber os moradores
delles que sam os reguengueiros antre todos de pam meado noventa e seis
alqueires; (...) e com elles vinte ouos, que todo pagam na maneira seguinte: Em
Vallongo Sussão – Item Gonçalo Martins paga de pam meado (...). Em Vallongo de
Estrada – Item Diogo Fernandes paga de pam meado (...). Dada em a Nossa Cidade
d’Euora aos quinze dias de dezembro anno do nascimento de nosso senhor Jesu
Christo de myl e quinhentos e dezenove. Fernan de Pyna”.
No início do Séc. XVI Valongo de Susão cham a-se apenas Susão
e Valongo de Jusão chama-se Valongo da Estrada.
Na Idade Média, Valongo era repartido entre o Clero
e o Rei. A sua população seria essencialmente constituída por camponeses
e rendeiros. O cultivo do milho graúdo entrou em franco desenvolvimento no Séc.
XVI e a par da sua cultura, verificou-se a construção de moinhos para o
aproveitamento económico dos cursos de água. Destes, em pleno Séc. XIX,
laboravam, em Sobrado, no Rio Ferreira, 26 mós.
O moinho de Vessada
é um exemplo vivo ainda hoje em pleno funcionamento. Existem também alusões a
outras actividades: ferreiros, correeiros, sapateiros, etc... A actividade de Almocreve
teve na Idade Média um importante papel para o desenvolvimento de Valongo.
Esta actividade comercial permitia o conhecimento de várias mercadorias e o seu
comércio em diversos pontos do reino. Se bem que em certas épocas do ano a
circulação pelos caminhos seria relativamente fácil, o mesmo não se pode dizer
em relação ao Inverno, que com fortes chuvas e nevões, tornava os caminhos
praticamente intransitáveis. Devido a estas e outras dificuldades foi
necessário regulamentar as normas de abastecimentos às regiões. Nessa
conformidade, no regimento concelhio de Évora promulgado pelo Infante D.
Duarte em 2 de Abril de 1421, estabelece-se no título dos almocreves,
pescadeiras, vendedeiras e regateiras que “ pera todos seerem em seus
mantjmentos igualdados e nom auerem falimento os almocreues que ouuerem de se
serujr de pescados secos ou frescos e asy as regateiras que desto quiserem
husar, sse trabalhem em tall guisa que dem e tenham senpre pescados que auondem
aos dias e tempos que han de dar sem falimento. (...) E o almocreue ou
regateira que o a outra leuar ou descarregar por cada carrega ou costal, se
mais nom for, pague para o concelho XX reais. E (...) sse o em sua cassa vender
e o nom trouxer aa praça (...) pague pera o concelho XX reais”
Arquivo Distrital de Évora, Livro Pequeno de Pregaminho,
n.º66, fol. 30v. Documento publicado em
apêndice.
Foram os almocreves que trouxeram para Valongo, o
trigo do Alentejo e de Trás-os-Montes. O fabrico de pão de trigo
conhece tal desenvolvimento que permitirá aos padeiros de Valongo
alimentar toda a região envolvente.
Todo o Séc. XVIII se desenrolou de uma forma mais ou menos
pacífica, proporcionando-se assim o crescimento populacional desta região. Este
crescimento verificou-se tanto em número como em esperança de vida. Já o Séc.
XIX se caracteriza conturbado e conflituoso.
No início do século as invasões
francesas trouxeram os saques, a ocupação e destruição dos patrimónios
clerical e particular. Em 1832 iniciam-se as hostilidades entre D.
Pedro e seu irmão D. Miguel.
O reino fica então dividido entre Liberais
e Absolutistas. Um dos episódios desta guerra civil tem como palco
terras de S. Martinho de Campo, ocorrendo nas proximidades da Ponte de
Ferreira, da qual lhe deriva o nome – Batalha da Ponte de Ferreira.

Sangrenta como todas as batalhas esta originou a conversão do Real
Convento de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa actual Colégio de
Ermesinde, em hospital das forças absolutistas de D. Miguel, facto que parece confirmar as afirmações do P. Lopes Reis
quando diz que a população de Valongo era maioritariamente absolutista.
No adro da igreja foi aberta vala comum onde se enterraram muitos dos soldados mortos
no Cerco do Porto. Valongo foi elevado a cabeça do concelho por decreto
de 28 de Novembro de 1836 e a vila por decreto de 17 de Abril de 1837.
Já na segunda metade do Séc. XIX e com o ministério das
Obras Públicas entregue a Fon tes Pereira de Melo, dá-se uma autentica
revolução nos meios de transporte terrestres com o desenvolvimento dos
caminhos-de-ferro.
Com inauguração em 1875 das Linhas do Minho e Douro
entra em funcionamento a Estação de Valongo ...“o primeiro comboyo
passou aqui depois do meio dia, levando o ministro da marinha, vereadores,
governador civil, general da divisão e outros funccionários, jornalistas e
vários cavalheiros representantes do corpo diplomatico e foi até Penafiel onde
houve um lanche de 180 talheres, estando todas as estações engalanadas e
havendo em Vallongo varias manifestações de
regosijo.”... assim como o
apeadeiro de Susão, local onde se construiu o viaduto da recente A4.
Sobre Susão, diz a lenda que: desembarcou certo dia em Cale (Porto), um grupo
de cristãos vindos do oriente, do qual faziam parte Samuel e sua filha Susanna,
por quem, Donnus, cavaleiro romano, se apaixonou. Para que o casamento
se pudesse realizar, Donnus foi obrigado a converter-se ao Cristianismo.
Chegando ao conhecimento do Governador que ainda existiam cristãos em seu
território, este perseguiu, prendeu e expulsou o casal de Cale, que
vagueando, rumou para oriente embrenhando-se na serra que hoje é de Santa
Justa.
À região onde
se fixaram chamaram Cale, que posteriormente, devido a um duelo que ali
houve, se passou a chamar Cale Duelli, cuja contracção deu hoje, Caledo el.
Mudando-se mais tarde com sua família para uma parte mais fértil da planície,
ao local ocupado chamaram Cale Donni (hoje Caledone) em homenagem
ao seu primeiro habitante, Donnus.
À pequena povoação da qual Susanna
e a sua família faziam parte foi atribuído o nome Pagus Susannus,(
aldeia de Susanna).
Com o decorrer do tempo, o povo começou a chamar-lhe
Susanno e aos dias de hoje chegou como Suzão.
Foi o Séc. XIX, determinante para o desenvolvimento de Valongo.
A par da “revolução dos
meios de transporte terrestres” (não só com o
aparecimento do comboio mas também com a do carro eléctrico), assistiu-se
também à implementação de várias indústrias.
Por meados deste século, inicia-se
a exploração sistemática de ardósia, e procede-se à extracção de antimónio,
volfrâmio e carvão.
A extracção de ardósia começou em 1865 levada a cabo
pela Companhia Inglesa – The Vallomgo Slate and Marbles Quarries e
destina-se essencialmente à exportação para Inglaterra e Estados
Unid os.
Os produtos exportados eram os soletos, pedras polidas, pedras para
bilhares, quadros escolares; em Portugal a ardósia era usada,
essencialmente para fazer telhados como o do Palácio do Freixo e do Palácio
da Foz.
Hoje, a ardósia é usada para pavimentos, revestimentos, peitoris,
degraus, para além de continuar a ser usada para as mesas de bilhar. A sua
extracção e transformação, antigamente feita com a ajuda de máquinas a vapor,
está hoje, altamente mecanizada.
Valongo foi também berço de homens ilustres e, sem pretendermos
minimizar ou esquecer alguém, poderemos, seguramente, destacar entre todos o Padre
José Monteiro da Rocha braço direito do Marquês de Pombal na Reforma da
Universidade de Coimbra; o Dr. António Dias de Oliveira, nascido em
Valongo, na rua que hoje tem o seu nome. Formado em direito na Universidade de
Coimbra, exerceu advocacia, foi juiz vogal no Supremo Tribunal de Justiça,
deputado, par do Reino e Presidente de Ministros no Reinado de D. Maria II; o Padre
Bernardo Martins das Neves, músico, completou a Capela de S. Bruno,
começada por seu pai. Entre as várias composições que deixou, existem duas
missas, várias sinfonias e uma cançoneta à Virgem que, ainda hoje, é cantada em
Valongo; o Dr. Lino José de Sousa Pinto, bacharel pela Universidade de
Coimbra. Foi juiz de direito no Funchal e desembargador da Relação do Porto; o Dr.
Ricardo Paupério de Sousa, nascido em Valongo, doutorando-se em medicina,
foi aos E. U. onde, em Montevideu, defendeu tese e recebeu diploma de Professor
de medicina e cirurgia; António José de Sousa e Silva (o Silva da
Flauta) como era conhecido no Porto, foi comendador e vice-cônsul Francês; José
Alves Saldanha, nascido em Valongo, fez fortuna no Rio de Janeiro, da qual
se serviu para benefício da sua Terra Natal. Entre outras benfeitorias, fez
donativos à Câmara (300$000 réis) para compra de terreno onde está, hoje, a
Escola Conde de Ferreira; contribuiu para a construção de parte da Igreja
Matriz (1:073$165 réis); ajudou na construção do novo cemitério (20 0$000 réis),
etc. Foi comendador da Ordem de Cristo. O seu retrato, a óleo, encontra-se na
sacristia da Igreja; Manoel Alves Saldanha, irmão do antecedente, deu à
confraria a Cruz-Padrão de prata que ela hoje possui. Juntamente com seu irmão
mandou dourar o altar de S. João e restaurou a capela de N. Senhor dos Passos. José
Alves dos Reis, popular poeta natural de Valongo; finalmente uma alusão ao Padre
Joaquim Alves Lopes dos Reis, que escreveu e publicou “A VILLA DE
VALLONGO”, datado: Porto Typographia Coelho, (a vapor) 1904.
Entre os imóveis também dignos de menção, temos: a Quinta das
Telheiras com o seu imponente Portal de arco redondo copulado por
insigne brasão e respectivo portão em ferro forjado; o Palacete do Mesquita,
hoje, parte integrante da Quinta do Colégio de Santa Joana; a Quinta
do Visconde do Paço cuja frontaria ostenta a respectiva pedra de
armas e que datará de 1864; também com armas ostentadas sob o portal de
entrada, a Qu inta de Ermesinde; a Quinta do Ribeiro, que datará
do Séc. XIX, cujo Portal Brasonado também merece
admiração; a Casa
do Anjo, edifício de Interesse Público desde 1984, terá sido
construída em 1766.
Do património cultural de Valongo fazem também parte o seu artesanato
e gastronomia assim como as suas festas, feiras e romarias.

Dada
a sua riqueza em ardósia, de estranhar seria, se não encontrássemos este
material no seu artesanato.
Nele são feitas as centenárias lousas escolares;
artigos decorativos como relógios e esculturas, e ainda cinzeiros,
tabuleiros e os mais variados tipos de artefactos.
Os brinquedos feitos em
chapa (folha de flandres) e em madeira (pinho), a cores vivas
pincelados, para além de fazerem as delícias de qualquer criança, para um coleccionador atento certamente constituirão belíssimas peças de estimação.
Dos
primeiros, os mais procurados são as máquinas de cos tura, os carros eléctricos,
as charretes e as carroças com cavalos, sendo que dos de madeira, os mais
conhecidos são os ciclistas, as camionetas, os carros de boneca e as
pombinhas.
Falar da Gastronomia Valonguense é antes de mais falar do Pão.
Desde tempos imemoriais que se fabrica pão em Valongo, tendo sido a Indústria
Panificadora, conforme já referenciado, um dos motores fulcrais do
desenvolvimento do Concelho. O pão, confeccionado com farinha de trigo,
quando tem por forma uma trança redonda chamam-lhe Regueifa,
quando a trança é a direito chamam-lhe Roca.

Na doçaria temos os
biscoitos de milho, os de limão, o Doce Branco e as
sobremesas Sopas Secas e Pudim de Pão.
Como “Nem só de pão vive o homem”, festejemos! Na Festa de Santa
Justa, na Festa da Senhora da Saúde, na Festa de S. Mamede, na Festa da Senhora
da Luz, na Festa do Senhor do Calvário, na Festa de S. Bartolomeu, na Festa da
Senhora de Chãos, na Festa de Santa Eufémia, na Procissão do Senhor e na Festa do Senhor dos Passos. De renome no concelho é a Festa das Bugiadas e o Enterro do João.
Acabada a folia é altura de assuntos sérios.
Em Valongo,
Cidade Sede do Concelho, está a Câmara Municipal.
Esta ocupa, provisoriamente, todo o rés-do-chão e 1º andar de
moderno edifício de onde se eleva alva torre habitacional.
As suas instalações definitivas serão futuramente no espaço posterior deste mesmo
edifício.
Não esquecendo a componente cultural, no Concelho encontramos o Centro Só cio-Cultural de Ermesinde, no antigo Palacete Vila Beatriz,
rico em pormenores tanto no seu exterior através da sua arquitectura como
no seu interior onde ainda se pode admirar
a riqueza dos azulejos que lá abundam, sendo alguns alusivos aos diverso tipos de trabalhos que no Concelho se faziam; o Forum Vallis
Longus, que dispõem de biblioteca, galeria de exposições, da Sala das
Artes com 176 lugares e do Auditório Dr. António de Macedo com 202
lugares e o Museu Munici pal – Arquivo Histórico de Valongo inaugurado a 1
de Junho de 2001 nos antigos Paços do Concelho.
O
Museu, onde se realizam durante todo o ano diversas exposições,
tendo sido
aberto com a Exposição Inaugural “As Bugiadas”, a par da exposição
permanente “... do Paleozóico aos nossos dias ...” situa-se no Rés
do Chão conjuntamente com o núcleo d e Arte Sacra que apresenta espólio
da Capela de S. Bruno.
À Exposição inaugural seguiram-se entre
outras, “O Brinquedo”, “O
Pão e os Biscoitos” representativa da indústria de Panificação no Concelho,
“Arte Sacra", etc.
De
realçar será que e para além de ter sido a sede do poder municipal desde os
finais do Séc. XIX, este edifício de traça Pombalina incluía a Capela
de S. Bruno.
Muito embora integrada no conjunto em exposição, nos
dias de abertura ao público é isolada e pode ser acedida através das duas portas
diafragma que dão para o exterior.
Ainda
no âmbito da cultura, temos o Fórum Cultural de Ermesinde i naugurado a 18
de Maio de 2001 na antiga “Fábrica da Telha” fundada em 1910
sob a designação social de Empresa Industrial de Ermesinde.
Após décadas d e
esforçada e competente laboração, foi adquirida pela Câmara que a transformou
num aprazível local de lazer e cultura.

Também
como espaços culturais privilegiados temos a Casa da Cultura de Alfena, a Casa
da Cultura de
Sobrado, e o Centro Cultural de Campo e Museu da Lousa.
Integrado
na região do Parque Paleozóico está o Povoado do Couce, que pela
sua beleza bucólica merece menção. A aldeia do Couce é composta por um
conjunto de casas de pedra e de xisto entre as qu ais
se encontram os moinhos movidos pela energia hidráulica que do rio Ferreira
brota. Contam as suas gentes que foi precisamente por causa destes que a aldeia
nasceu e, como nas famílias que lá viviam predominavam as raparigas, estas, como
seria de esperar, foram cativando cada vez mais e mais rapazes para a região.
Está
já em curso um projecto de reabilitação da aldeia, encaixada entre as Serras de
Santa Justa e Pias, o qual prevê a pavimentação, com blocos de
pedra, do único meio de acesso à aldeia e reabilitação das casas e moinhos. O
turismo pretendido para a região será de índole científica, uma vez que toda
ela apresenta aspectos, tanto morfológica como biologicamente, privilegiados.
E
hei-nos no fim desta nossa despretensiosa resenha que pretende divulgar e mesmo
evidenciar o valor histórico de toda a região agora conhecida como Concelho
de Valongo.
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