URRÔ

- Urrô, dista cinco quilómetros da sede do Concelho e está situada junto da margem es­querda do rio Sousa.

Esta Freguesia fundada por D. Afonso Henriques, notável couto medieval, Solar da Estirpe dos de “Urrô”, é dada a D. Diogo Gonçalo, Fidalgo da Corte.

O estudo feito a partir do Séc. X, dá-nos o conhecimento de várias “Villas” rústicas, como Souto de Milares, Lourosa, Nogueiró, Amonde, Eiriz e Roriz, na área da actual Freguesia, havendo documentação comprovativa da doação de algumas delas ao Mosteiro de Guimarães e ao de Arouca. Supõe-se serem parte integrante de um antigo Castro ou Castelo do “Vale de Arouca”, local onde todas elas estavam situadas.

Se bem que a sua documentação escrita nos chegue desde os finais do Séc. X com o Testamento de Flâmula Chamõa (960), outra documentação comprova a sua existência, como as Inquirições de 1258, em que a sua Igreja pertencia ao Mosteiro de Cete, em Paredes, o Arrolamento das Paróquias de 1320, o Cadastro da População do Reino (1527) e o Censual da Mitra do Porto.

Só no Séc. XVI, o topónimo Urrô nos aparece como Sam Miguel d’Orroo, no Censual do Cabido de Lamego.

Ainda no Séc. XVII, esta instituição apresentava o Cura com 70 mil réis de rendimento.

Aqui houve algumas casas nobres, como a do Paço, dos Soares, de que precedia o Bis­po de Coimbra D. João Soares, ou a da Vila, dos Fonseca Leão Barbosa.

As suas belíssimas paisagens naturais, são bem descritas por José Augusto Vieira, no seu “Minho Pittoresco”: “Chegando ao entroncamento de Serradellas, e deixando à esquerda a Estrada de Entre-os-rios, metemos na estrada real n.º 33 do Porto a Vila Real, tendo a ocasião de atravessar a freguezia de Guilhufe não só por esta linda estrada, como pela que o município mandou construir em 1885 e que logo abaixo da Guarda se dirige para a visinha Urrô – o nome recorda uma origem goda – marginada pelo Souza pittoresco, que ali vae deslizando paralelamente à linha férrea, e formando em um ou outro ponto encantadoras cascatas, que são um delicioso prazer para quem de comboio as vae contemplando.”.

As suas festividades são de origem antiquíssima e dedicam-se a S. Miguel Arcanjo e a S. Simão, esta com romaria realizada a 28 de Outubro, ao redor da Capela com o mesmo nome.