PORTELA

- Portela, dista onze quilómetros da sede do Concelho. A Freguesia de S. Paio de Portela, no artigo concelho de Penafiel de Sousa, era abadia da apresentação dos Eças, morgados de Cavaleiros.

A sua antiguidade é comprovada nas Memórias do Mosteiro de Paço de Sousa (1105), nas Inquisições de 1258, no Arrolamento das Paróquias de 1320, na Chancelaria de D. Afonso IV (1342), no Cadastro da População do Reino de 1527 e no Censual da Mitra do Porto (1542) e a sua localização assim é descrita nas Memórias Paroquiais de 1758: “Estâ esta freguezia situada em hum ameno valle, que prensipia em a falda da Selebrada Serrâdo Mozinho ficando esta freguezia em correspondência, no meio deste monte chamado châm do Loureiro, e comthenua desde a dita falda emthe o rio dos Ladrois, ficando este ao nascente e o dito monte ao poente.”.

Até meados do Séc. XVI, era um lugar da Freguesia de S. Vicente do Pinheiro. Quando se tornou independente, escolheu para Igreja Matriz a antiga ermida de S. Paio (cuja data de fundação se perde na bruma do tempo), situada em posição elevada, dominando o formoso vale que se estende do sopé do alto das Sete Pedras a Entre-os-Rios, e em cujo seio serpenteia placidamente o ribeiro das Cabras, afluente do rio Tâmega.

Há registos no cartório do Paço de Sousa que atestam a sua utilização pública para fins medicinais no longínquo ano de 1555.

Ramalho Ortigão, no seu livro Banhos de Caldas e Águas Minerais, descreve o local onde brotam estas águas tão afamadas e procuradas, no tratamento das patologias associadas às vias respiratórias e ao aparelho reumatológico, da seguinte forma: "É um lugar encantador, isolado, de ma grande tranquilidade doce, penetrante, em que repousam os olhos, o espírito se embebe de um misterioso induto balsâmico emanado dos pacíficos aspectos das águas e da paisagem. Nas noites de Verão, quando os amigos silêncios da lua se desenrolam dormentes e eléctricos sobre a larga superfície aquática, os que contemplam esse espectáculo, da pequena língua de terra chamada Entre-os-Rios, sentem a influência melancólica da poesia dos lagos.".

Datam de fins do Séc. XIX as análises químicas mais consistentes efectuadas às águas de Entre-os-Rios pelo Prof. A. J. Ferreira da Silva.

De património edificado, tem a Freguesia a Igreja Paroquial, a Capelas de S. Gonçalo, a Casa do Casal, a Casa da Conca, a Casa da Torre e a Casa de Baltar. Algumas das Casas Senhoriais, brasonadas, possuem capela própria suprindo as necessidades locais.