PENAFIEL

- Penafiel, chamava-se, na Idade Média, Freguesia de S. Martinho de Moazares, e tinha sede na capela de Santa Luzia. Pertencia ao Julgado e Castelo de Penafiel de Sousa, sedeada no Castelo de Penafiel (em Oldrões).

A paróquia era de herdadores ao tempo das Inquirições de 1258. Estes herdadores descendiam dos presores iniciais, de origem Asturiana ou Moçárabe, que entre si repartiam a posse das terras e “villas” agrícolas. Alguns tornaram-se grandes senhores, como o tantas vezes citado Egas Moniz (Sécs. XII e XIII), que possuía as honras de Louredo e de Moázeres, esta a englobar as terras onde hoje está a cidade de Penafiel e o território de Novelas.

Só no Séc. XV aparecem algumas referências a estas terras. No Séc. XVI era um lugar aberto, “por cercar”, e povoação junta.

A Capela do Espírito Santo foi então reedificada ao gosto da época pelo endinheirado mercador João Correia.

Torna-se entretanto comenda da Ordem de Cristo e a sua importância relativa faz decair S. Martinho de Moázeres e traz para aqui a cabeça da paróquia.

Daí que, em meados do Séc. XVI, tenha ascendido a sede da própria Freguesia e uma nova Igreja Matriz tenha sido construída de forma a não destruir a anterior Capela do Espírito Santo nem mesmo uma torre antiga onde teriam morado os Sousões.

Assim, Moázeres ficou-se por Santa Luzia e Arrifana adoptou S. Martinho.

Na origem do topónimo Arrifana teria estado, dizem uns, o étimo de “auriflama”, bandeira infalível dada por Deus aos exércitos franceses na luta contra a mourama. Outros derivam a palavra de uma abundante herbácea, a murta, a que os Árabes chamaram “ar-raihân”, planta de folhagem perene, símbolo tanto para a paz como para os amores e guerreiros vencedores. Finalmente, há quem atribua este nome a Arriana, filha de Mumadona que herdara a vila de Novelas, com as cercanias, que incluíam por certo as terras da actual freguesia.

A pequena freguesia de Arrifana de Sousa era cabeça da terra (ou julgado) desde D. João I, pelo menos, e o primeiro foral, que se conhece, data de 1519.

Posteriormente ascendeu à categoria de Vila, em 1741, por Carta Régia de D. João V. Nela, podemos ler:  -“Dom João por graça de Deos, Rey de Portugal, dos Algarves d’aquem e d’alem mar, em África Senhor da Guiné, da Conquista, Navegação Comércio Ethiopia, Arabia, Percia, e das Indias etc. Faço saber aos que esta Carta virem que por parte dos moradores do lugar de Arrifana de Souza me foi apresentado hum Alvará por mim assignado, e passado pela Chancellaria, de que o theor he o seguinte: Eu El Rei faço saber, que havendo respeito a me representaram os moradores do lugar de Arrifana de Souza que aquelle lugar hera muy populozo, e ficava em distançia da Cidade do Porto seis leguas com muito prejuizo para os moradores delle em seus pleitos e requerimentos, pedindo-me lhes fizesse mercê faze-llo Villa com Jurisdição separada, e visto seu requerimento e informações que se houve pelo Chanceller da Relação do Porto, ouvindo os officiaes da camera da mesma Cidade, e resposta do Procurador da minha coroa, e constar que o dito lugar he muy populozo, e com muita nobreza, Hey por bem fazer mercê aos supplicantes del ho fazer Villa tendo por termo a sua Freguezia de S. Martinho, e a de Santhiago de Sob Arrifana com Juiz de Fora que o será também dos Orfãos, e com Jurisdição separada, e desmembrada do Juizo do Geral e Orfãos da Cidade do Porto, como de que a Villa e termo pagarom ordenado ao Juiz de Fóra”.

       Trinta anos que são passados, já no Reinado de D. José, nova alteração se dá.

       El-Rei, que de há muito mantinha contenda com o Bispo do Porto, solicitou ao Papa Clemente XIV, a criação duma Diocese e novo Bispado em Penafiel de Sousa, com sede em Arrifana de Sousa, desfazendo, dessa forma, a área existente da Diocese do Porto. Dizia, El-Rei, que o Bispo deveria conhecer todo o seu rebanho e, também, ser conhecido pelo mesmo, mas sendo a área da Diocese do Porto de tal forma grande, tal não era possível.

       A Diocese foi criada e D. Frei Inácio de São Caetano, nomeado seu prelado.  

       A 3 de Março de 1770, D. José elevou-a a Cidade.

       Na Carta Régia, pode ler-se: -

       “E para que nella se possa mais dignamente estabelecer a Cathedral da mesma Diocese: Hey por bem, e me praz, que a dita povoação da Arrifana do dia da publicação deste em diante fique creada em Cidade: Que por tal seja tida, havida, e nomeada com a denominação de Cidade de Pena Fiel: E que como tal Cidade haja, e tenha todos os Privilegios, e Liberdades, de que devem gozar, e gozão as outras Cidades destes Reinos, concorrendo com ellas em todos os actos públicos; e uzando os Cidadões della de todas as distinções, e precheminenciais, de que uzão os das outras Cidades, sem differença alguma”.

       É de registar, no entanto, que D. Frei Inácio de São Caetano nunca chegou a ir à sua , pois em 1778, o recente Bispado foi extinto passando a estar, de novo, integrado na Diocese do Porto.

A Freguesia de Penafiel, tem documentação escrita relativa à sua existência desde 1145, com as Memórias do Mosteiro de Vilarinho, seguindo-se as Inquirições de 1258, as Memórias do Mosteiro de Pedroso (1291), Memórias do Mosteiro de Paço de Sousa, (1316), Arrolamento das Paróquias (1320), Cadastro da População (1527), Sensual da Mitra do Porto (1542) e Constituição Diocesana do Porto (1687).

A Igreja da Ajuda, a Igreja dos Capuchos, a Igreja das Freiras, a Igreja da Misericórdia (antiga Sé Catedral do extinto Bispado de Penafiel), a Igreja do Calvário e o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, ou Sameiro, fazem parte do seu património religioso

As ruas da Cidade falam-nos de diversas épocas. A Rua Direita dá acesso à zona antiga onde se impõe a Igreja Matriz de evocação a S. Martinho. Obra do Séc. XVI que conserva a Capela-Mor Gótica da primitiva Igreja do Espírito Santo.

Também a Igreja dos Capuchos, a Igreja da Ajuda, a Igreja das Freiras, a Igreja do Calvário e o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, ou Sameiro (este o mais recente de todos), fazem parte do seu património religioso edificado.

Na Praça Municipal relevamos o edifício da Câmara Municipal, a Igreja da Misericórdia - antiga Sé Catedral do extinto Bispado de Penafiel - e o monumento aos mortos da 1ª Grande Guerra.

Do restante património, um destaque é merecido para a Janela da Reboleira, o Pelourinho de Penafiel e a Quinta da Aveleda.

Das suas festividades, a mais importante da Freguesia é realizada a 11 de Novembro, em honra de S. Martinho, acompanhada da sua feira multi-secular. A Festa do Corpus, a romaria à Senhora da Saúde, na segunda-feira de Páscoa, e a romaria ao São Bento de Urrô, nos fins do Verão, o Cortejo do Carneirinho (na véspera do Corpo de Deus) a festa das cebolas e a Agrival, (feira agrícola que se realiza anualmente entre 17 e 25 de Agosto), são as suas outras festividades.