|
-
Lagares,
apesar de ter sofrido um grande desenvolvimento a partir do
início do Séc. XVIII, a sua existência remonta, todavia, a
épocas bem anteriores.
A influência
romana fez-se sentir nesta Freguesia. Escariz (Ascariz
de Ascariguiz) e Quintandona (de Quintã de Ónega
ou de Dona Ónega), assim o mostram.
Seriam
notáveis núcleos populacionais deste território, fundamentais
para a sua organização.
Segundo J.
Monteiro de Aguiar, os primeiros documentos escritos
referentes à “villa de Lagares” datam de 1088.
A Igreja de
S. Martinho de Lagares, apresentando-se hoje com a volumetria
arquitectónica desenvolvida nos Sécs. XVIII e XIX, é o
património construído mais antigo da freguesia e com um passado
histórico relevante Nela se encontrou uma ara romana. As
inscrições que apresenta dedicam-na aos Lares Anaeci. Esta
ara terá sido reutilizada, mais tarde, como base do altar do
templo cristão existente entre os Sécs. X-XI.
Entre os
valores arqueológicos existentes nesta Freguesia, salientemos
várias sepulturas medievais, moedas em cobre (ceitis e
reais de D. Sebastião), cerâmicas, um machado de
pedra polida e ainda um capitel toscano tardio, datado
do Séc. IV.
Em 1153,
segundo Frei António Assunção Meireles, há notícia da
doação de bens ao Mosteiro de Paço de Sousa por Baemira
Austriz e sua irmã. Em 1184, Mendo Moniz e sua
mulher Cristina doaram também a parte do padroado que lhes
pertencia, ao referido Mosteiro.
Este mesmo padroado viria
a ser confirmado por Gregório X e só em 1614 a
Vigairaria desta Igreja seria separada, ficando a
pertencer ao Colégio dos Jesuítas em Évora. No
Séc. XVIII, a Igreja veio a ser incorporada por Provisão
Régia de 4 de Julho de 1774, no padroado novo daquela
instituição universitária.
No Foral
Manuelino de Penafiel, o Rei Venturoso, não esquece
alguns casais de Lagares exigindo alguns tributos para
consolidação das finanças régias, e portanto dar força ao poder
central.
No Séc. XVI,
em Lagares um casal do lugar de Escariz, pertencia a uma
filha de Pero Vaz de Caminha e de sua mulher Catarina
Vaz. Estas casas eram emprazadas pelo Mosteiro de Paço de
Sousa a Isabel de Caminha e seu marido de nome
Osório.
A maior parte
das terras pertenceram, até ao Séc. XVIII, às Mesas
Abacial e Conventual do Mosteiro de Paço de Sousa. Lagares,
reitoria (mais tarde abadia) e sua anexa S. Tiago da Capela,
foram de Apresentação da Mitra e Comenda da Ordem de
Cristo. Era seu comendador o Conde de Ega e
Alcaide-Mor das vilas de Guimarães e Soure.
Ayres Saldanha de Albuquerque Coutinho Mattos e Noronha.
 |