CAPELA

- Capela está situada entre as serras de Mozinho e de Lousado, distando cerca de dezoito quilómetros da sede do Concelho. Tem uma área de 1.494 hectares e compreende os seguintes lugares: Aiderno, Cabroelo. Cerrado, Igreja, Eira, Monte Grande, Monte Selado, Monteselo, Oliveira. Outeiro, S. Julião, Telhado, Telheiro, e Vila Meã. Esteve muitos anos anexada a S. Martinho de Lagares.

O pároco António Xavier Pereira, dizia o seguinte, nas “Memórias Paroquiais” de 1758:

"1. Esta freguesia de S. Tiago da Capela é da província de Entre Douro e Minho, comarca de Penafiel, do termo e bispado do Porto.

2. E terra de El-Rei.

7. Seu orago é S. Tiago, tem três altares: o altar-mor é onde está o Santíssimo Sacramento, como também S. José, Santa Ana, S. Sebastião e S. Tiago; tem mais dois altares, um em que se acha Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora do Amparo, e em outro o Senhor Jesus, Santo Ouvido e o Menino Deus. E é esta igreja de uma só nave. E tem uma Irmandade de Nossa Senhora do Rosário.

13. Tem duas ermidas, uma de S. Julião situada em o lugar de S. Guio, e tem só o dito santo, e outra ermida de S. Mateus, situa­da em o lugar de Cabroelo, tem a imagem do dito, santo, e mais a imagem de Nossa Senhora do Pilar, as quais foram feitas pelo povo da freguesia, e o pároco dela as administra.

14. No dia, vinte e um de Setembro, em que se festeja S. Mateus, acode povo à romagem na ermida do mesmo, santo".

A história de Capela conta com um episódio bem demonstrativo dos rigores da justiça portuguesa em meados do século XVIII. Foi assim: na noite de 16 de Dezembro de 1740 foi arrombada a porta da Igreja e dela levaram o Vaso Sagrado (em prata) com 24 formas consagradas

Prenderam-se várias pessoas e a 29 de Abril de 1741 foram garrotados e depois queimados, na cidade do Porto, por este crime, António José e João Martins. Pelo mesmo crime foram açoitados Pascoal da Silva, António Alves (o Derrabado) e João Rodrigues. Foi condenado com baraço e pregão pelas ruas João de Miranda. António Barbosa sofreu o degredo. Foi absolvido José Rodrigues, por ser menor, mas assistiu ao suplício com as mãos algemadas.