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Canelas, teve
a freguesia de Sebolido a si anexada até aos inícios do
Séc. XIX e era uma vigairaria de apresentação do Papa,
do Bispo do Porto e do Convento de Paço de Sousa.
Situada na margem direita do rio
Douro, dista catorze quilómetros da sede do Concelho.
Está nos antigos topónimos Vila, Vilarinho, Vila
Pouca e Vilar a génese da actual denominação da
Freguesia. Assim: fundiu-se o nome do lugar principal Canas,
com elas (as vilas), e resultou Canelas.
É povoação de origem muito
remota, anterior à Nacionalidade, talvez da época castreja.
Por aqui passa a "Via Latina" que vai até ao monte Mozinho.
No lugar de Canas, foram
encontrados casualmente os alinhamentos das paredes de um
balneário romano.
Mais tarde, ao proceder-se a
uma terraplenagem, começou por aparecer um espólio de uma
importante necrópole pagã-cristã, a Necrópole da Capela
de Santa Luzia, do Séc. III a IV.
Do seu antiquíssimo património,
merece destaque a Quinta da Ufe onde, na casa, ressaltam o
altar interior e moinhos de água, considerados de
construção anterior à fundação de Portugal.
Conta-se que teve nas suas
origens a casa e quinta de uma D. Ufa Ufes, filha do conde
D. Ufo Ufes, governador de Viseu, a qual casou com
D. Arnaldo, filho de Guilherme I da Baviera. Nos
finais do Séc. X, D. Arnaldo veio oferecer os seus
serviços a Bernardo II de Leão para ajudar a expulsar os
Mouros, estabelecendo-se em Baião depois de ter
libertado aquele território do jugo sarraceno.
De D. Arnaldo e D. Ufa
nasceram D. Guido Arnaldes de Baião e D. Gosende
Arnaldes de Baião, fundador da honra de Gosende. Este
foi pai de Egas Gosende, avô de Emilio Viegas e
bisavô
de Egas Moniz, o aio de D. Afonso Henriques.
Sabe-se que D. Egas Moniz e seu
irmão D. Mem Moniz possuíram
haveres de certo vulto na paróquia de Canelas, decerto no lugar
de Ufe, até porque aqui teve
bens o Mosteiro de Paço de Sousa, fundado pelo seu avô.
Todos os descendentes foram
devotos e protectores do mosteiro, muito especialmente D. Egas Moniz,
que ali viria a ser sepultado.
A freguesia de Canelas
teve um porto com uma barca. Cada vez que sulcasse o Douro carregada de
vinho, pagava ao fisco um almude dele.
De realçar a Capela de S.
Pedro, do Séc. XVIII, situada no local mais elevado do
Concelho.
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