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O Mosteiro
de Bustelo, situado na Freguesia do mesmo nome e
distando da Cidade de Penafiel apenas 3 km, tem a
sua história desconhecida para uma grande parte da população.
De traça
barroca, aparece-nos isolado na paisagem campestre, com a
Igreja de um lado e, a fazer “L”, o corpo do
Mosteiro, bastante degradado, do outro.
Sofrendo
profunda reforma no Séc. XVII, fontes há a apontar a
existência de um anterior Mosteiro, românico, com fundação
em 1065 o qual teria dado origem ao actual Mosteiro.

Estando em
permanentes obras até ao início do Séc. XIX, tem a primeira
pedra lançada a 13 de Agosto de 1633. Durante a sua
existência, o Mosteiro pertenceu à Ordem de São Bento,
sendo por isso, habitado por Monges Beneditinos.
A chefia do
Mosteiro cabia a um Abade eleito por um triénio, o qual
tinha a obrigatoriedade da apresentação do relatório de contas
trienal.
Dependendo este Mosteiro directamente do
Mosteiro de Tibães em Braga, consegue-se saber da
existência de actividade no Mosteiro em 1629, a qual
se terá prolongado até 1822, altura em que foi emitido o
último relatório.
Entre esta data e 1834, data em que as
Ordens Religiosas foram extinguidas, desconhece-se o que se
terá passado nestes 12 anos. A partir daí a ruína
apoderou-se de uma parte do Mosteiro, tendo chegado ao
final do Séc. XX, quase sobrando apenas as paredes.
Felizmente já
se prevê a reconstrução, uma difícil c aminhada, que o Mosteiro
de Bustelo legou às gentes do Séc. XXI.
Nos finais dos
anos 50 do passado século XX, A. Guimarães,
escreve um artigo sobre o Mosteiro.
É, em muito,
com base nesse artigo, que se passa a expor:
“É
agradabilíssimo o passeio pelas estradas fora, cheias de sombras
acolhedoras.
É de velha usança a realização de casamentos à
capucha na antiga Igreja de Bustêlo;
nanja que hoje assim seja, pois tudo é de dar
nas vistas e por isso os noivos acorrem às igrejas mais
frequentadas, para se mostrarem e à comitiva.”.
Fica o
vetusto Mosteiro no centro da Freguesia, tendo largo
adro no interior do “L” que faz com a Igreja e de
onde lindas vistas que prendem até ao horizonte.
Imponente
escadaria de pedra, muito ampla e bem lançada, conduz junto ao
elegante cruzeiro
de
granito.
É ali que se
realiza uma das mais típicas romarias do Norte; a Nossa
Senhora da Saúde, que tem lugar na Segunda-feira de Páscoa.
As raparigas ocorrem de todas as bandas aos milhares e milhares,
apinhando-se junto à igreja, estendendo-se a perder de vista pelos
campos e montes, com os seus farnéis, toalha branca a «manchar» os
verdes garridos.
A romaria prolonga-se desde o dealbar até ser
noite fechada em
constante animação, com o cantar das novenas à
porfia: «A Senhora da Saúde, deita as fita a boar...».
Os cânticos da
gente moça das aldeias ecoam noite fora, e grande é a crença das
moçoilas pela Santa que ali se venera no seu altar.
É
muito velhinho o Mosteiro de Bustelo - já se dera pela sua
existência no ano de 1065.
Sendo seu Orago, S. Miguel
Arcanjo ali é invocado, e por cima da porta da Igreja,
como que a protegê-la, num pétreo nicho está colocado.
S. Bento,
é venerado na Igreja cheia de relíquias, onde os folares
eram oferecidos, na primeira oitava da Páscoa, pelos
habitantes da antiga Arrifana de Sousa.
Assim está nos
antigos manuscritos, onde também se pode ler que as Freguesias
de Croca, Santa Marta e Melhundes, (assim se
chamava na época) à Igreja do Convento de Frades Bentos
estavam anexas, sendo que as duas primeiras tinham obrigação de
virem assistir à Missa Principal desta Igreja, nas quatro festas
do ano.
Abrangendo, a
Freguesia de Bustelo, parte das de Croca e Novelas,
do Concelho de Penafiel e Meinedo, do Concelho de
Lousada, era couto dos Frades locais, sendo o mesmo
constituído por 340 fogos e 43 aldeias. O Pároco,
tinha sempre de ser um Frade, com direito a Coadjutor
- clérigo secular – sendo-lhe atribuído um rendimento anual de
cem mil reis.
Sendo
donatário do couto o D. Abade do Convento fazia eleger, no
primeiro dia de cada ano, um Juiz Ordinário do Civil e Órfãos,
podendo haver apelação das decisões para o D. Abade como
ouvidor.
As audiências tinham lugar em formosa «casa». Sendo o
Porteiro eleito pelo Juiz, já o Procurador, o
Meirinho, o Quadrilheiro e mai-lo Jurado eram
eleitos, por votação, pelo povo.
No final, todos prestavam
juramento nas mãos do D. Abade.
A
fundação do Convento de Bustelo segundo velhos alfarrábios,
ter-se-ia dado pelos anos de 900, pela mão de um filho de
D. Fayão Soares, (fundador de Penafiel), antepassado de
marqueses de nomeada, e do famosíssimo Rey Dias de Bivar, o
«Cid».
O
Séc. XVII, nos seus finais, assiste à reedificação da
sumptuosa Igreja de estilo barroco - jesuítico, de
artísticas talhas e transepto - cruciforme.
Entre algumas
curiosidades que aos arqueólogos dizem respeito, citaremos a
existência de uma pedra tum ular Visigótica do Séc. VII,
em uma das paredes do Claustro.
Outras pedras, a que se
atribui incalculável valor, de pórtico romano, foram encontradas
agora nas paredes da Igreja e dali retiradas.
Serão, porém, ali
guardadas em Museu.
Junto à
Igreja, com colunas dóricas estilo renascença e tendo uma taça
a erguer-se no seu meio, o Claustro, tendo sido começado
pelo lado Poente em 1635 e tendo a sua conclusão com
o lado Nascente em 1689, demorou mais de meio século
a ser construído.
Este lanço final implicaria a destruição de uma
Capela dedicada a São Tiago.
A obra do
Claustro ficou completa no triénio de 1777-1780 com a
colocação de uma estátua de Hércules e servindo como
chafariz as sete bocas das “hidras” sobre as quais se apoia
o deus pagão.
De notar ainda que a representação de Hércules
é frequentemente confundida pela de São Miguel, seu
“sucessor” e Padroeiro da Paróquia de Bustelo, derrotando
Lúcifer.
A última
grande obra dos Beneditinos no Claustro do Mosteiro,
terá sido a reforma de um dos lanços, entre 1816 e 1819,
por este ameaçar ruir.
A rematar o
lado Norte do Claustro e virado a Sul, com data de
colocação desconhecida, um relógio de sol.
Sabe-se que as
obras do edifício do Mosteiro foram anteriores às
da
Igreja. As obras teriam começado pela portaria e
galeria estendendo-se depois para o lado Norte.
A porta na
fachada do edifício que, do interior do Claustro, dava
acesso ao terreiro, fez-se em 1638, tendo a mesma recebido
benefícios de assentos de pedra lavrada para os três lados em
1653.
Novas portas lhe são construídas sendo as mesmas
substituídas por outras em 1764, ano em que, de cada lado
da porta se construíram duas janelas de ferro grandes.
Em 1650,
um painel de S. Bento é colocado sobre a portaria e,
aproveitando-se as obras, sobre a janela da escada foi colocado um
outro de Santa Escolástica, sua irmã.
Finalmente, em
1777 abaixou-se a Portaria do Carro, construindo-se
por cima uma varanda com pilares de pedra e uma janela.
A rematar o
conjunto, um frontão triangular em cujo tímpano se colocou o
brasão de São Bento.
Deste modo se concluiu a frontaria
do Mosteiro.
Em1680
juntamente com as obras do terreiro da portaria construiu-se o
Cruzeiro.
A primitiva
igreja possuiria apenas uma torre, tendo o frontispício ficado com
duas torres laterais como hoje se vêm, após as obras de
reedificação.
Sabe-se da sua existência desde 1713 e,
devido sobretudo a raios de trovoada sofreram vários consertos,
pelo menos até 1800.
Os seus sinos foram colocados
em 1716 e, sem que se conheça a data, também um relógio
foi colocado numa das torres, conhecendo-se porém parte da sua
existência através da data do conserto que sofreu entre
1804 e 1807.
No
interior do velhíssimo templo, deparamo-nos à entrada com a Pia
Baptismal tendo por fundo um a imagem representativa do
Baptismo de Jesus.
Caminhando
pela Nave Central logo se nos prende a atenção com o
Altar-mor, finamente trabalhado em riquíssima talha dourada.
A
influência da talha da Capela-mor da Igreja de Santo
Ildefonso de autoria de Nicolau Nazoni é aqui notada.
À sua direita
a imagem do Padroeiro S. Miguel, e à esquerda a de S.
Bento, fundador da ordem Beneditina.
Do lado do
Evangelho, o Altar de Nossa Senhora do Rosário
onde, no nicho do meio está a Senhora do Rosário, num dos
lados as Santas Mães e no outro a Santa Gertrudes.
Neste corpo,
existe saída para o Claustro e uma comunicação com a
Sacristia com Altar de Jesus Crucificado.

Do lado da
Epístola, a imagem de São Bento, que dá o nome ao
Altar, tendo de um lado Nossa Senhora da Saúde e do
outro Santo Amaro.
O outro
Altar, também do lado da Epístola, consiste num
Sacrário, adornado por dois Anjos, onde se colocou o
Coração de Jesus no meio de um resplendor de raios de luz.
No corpo da
igreja existem quatro Altares, sendo que um dos do lado da
Epístola é em forma, inferior aos outros.
Nele se
representam cenas do Purgatório, sem colunas. Actualmente
no nicho central está colocado o Senhor dos Passos.
No outro do
mesmo lado estaria a imagem de Santa Escolástica e de
São Vicente Ferreira. Actualmente está colocada a imagem de
Jesus Ressuscitado mostrando o seu Coração.
Do lado do
Evangelho, próximo do coro, estaria a imagem do Patriarca
São Bento. No outro deste lado colocou-se uma imagem de
Nossa Senhora da Piedade e um Santo Cristo Morto.
Situado sobre
a porta principal, debaixo das duas torres sineiras, o coro teve
como primeira peça nele colocada um quadro de 12 palmos com
a imagem de São Bento de pé com o seu báculo na mão, que se
situou no centro da parede interna do frontispício.
A par do
quadro de São Bento, foram colocados mais 10 telas a
óleo, antiquíssimas, e cujo autor não se menciona, que descrevem a
vida de S ão Bento e Santa Escolástica.
Encomendado em
1758 juntamente com um órgão, o cadeiral do coro
da Igreja de Bustelo, é referido por Robert Smith como
um dos melhores conjuntos em talha ròcòcó do Minho,
atribuindo a sua autoria ao mesmo entalhador que trabalhou para o
Mosteiro de Tibães mas cuja identificação se desconhece.
Tendo-se
construído uma varanda para se assentar o órgão, fez-se
outra igual na parte oposta a esta e, para que a mesma fosse
aproveitada, construiu-se um Altar novo com um painel de
Nossa Senhora da Conceição.
O órgão de
tubos, viria a ser levado para a Igreja da Misericórdia
em 1834, segundo consta, já que este facto padece de falta
de informação.
Só no início
deste século se adquiriu um novo órgão de tubos que
a igreja tanto merecia.
No decorrer
das obras de reparação e restauro, iniciadas em meados do passado
Séc XX (1957), ao ser retirado o sarrafão, no arco-cruzeiro,
descobriu-se o brazão dos Beneditinos, em cantaria,
com castelo, leão, báculo, mitra de Abade dentro de uma coroa.
Para esta obra
de restauro, o Prelado transferiu para esta freguesia o
rev. Pároco Celestino da Silva Ramos, que vindo de Gôve
(Baião), ali dera mostras já do seu espírito empreendedor, e a
direcção da mesma foi confiada ao Penafidelense engenheiro
António Barbosa de Abreu.
A
avaliar pela existência de inúmeros monumentos e valores
arqueológicos e arquitectónicos que existem no Concelho de
Penafiel, deve-se concluir que este «velho Concelho de
Arrifana de Sousa» é, talvez, no género, um dos mais ricos do
País.
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