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Perdem-se na noite dos tempos, os vestígios de ocupação de toda
esta região. Povos Neolíticos habitaram-na desde muito cedo
deixando numerosos e relevante s
vestígios das culturas Dolménica e Castreja.
Dos numerosos Castros do Concelho ressalta a Citânea do
Monte Mozinho, povoado fortificado dos finais da Idade do
Ferro, com sucessivas ocupações até ao dealbar da Idade
Média. Segundo historiadores, terá sido “Cividade Gallaeci”,
capital dos galegos que aqui viveriam.
De facto, Monte Mozinho, representa claramente uma
Cividade Castreja de importância singular, e uma das mais
representativas do Noroeste Peninsular, dadas a sua posição
estratégica, dominando a passagem para o interior a partir do
litoral, e as suas linhas de muralhas, às quais um fosso ampliava
a segurança natural.
Também no alto do monte de S. Bartolomeu, (Sameiro), poderá
ter havido um Castro, de ocupação romana. Quando em 1886,
se iniciaram os trabalhos de implantação da Igreja, aí se
descobriu uma pequena estatueta em bronze, imagem comum de
Marte – deus da mitologia romana – com datação possível entre
o 2º e 3º Séculos da Era Cristã. Num terreno próximo
à Capela de Santa Luzia, os vestígios de ocupação de
influência romana – mós manuais, tégulas e
ímbrices, fragmentos de cerâmica – parecem indicar que
para aqui teriam os romanos “empurrado” as populações castrejas,
talvez expulsas de Monte Mozinho e dos Castros
adjacentes.
São vários os lugares onde se podem admirar
glórias da arqueologia Pré-Histórica.

A 4 km de Penafiel, na Freguesia de Santa Marta, e ncontra-se
o “Dólmen da Portela”, também conhecido por “Anta de
Santa Marta” e “Forno dos Mouros”.
O Menir de Luzim, na Freguesia do mesmo nome, é um
monumento Megalítico com 2,5M de altura.
Para Leste, a umas dezenas de metros, um petroglifo
denominado “Pegadinhas de S. Gonçalo”.
Sucessivamente passaram por aqui Romanos, Bárbaros e
Mouros.
Sendo entroncamento de estradas, o Concelho de Penafiel não deixou
de progredir e ainda não era chegado o ano 1000 já
sobressaía como uma das terras mais importantes de Entre -
Douro e Minho.
A “Terra de Penafiel” substituiu, nos meados do Séc.
XI, a antiquíssima designação, alto-medieval, de “Território
Anegie”, ou seja, “Civitas Anégia” a que pertenceu
grande parte da área do Concelho.
O Território de Anégia, acerca do qual pouco se
sabe, foi substituído, muito antes da Nacionalidade, pelo
Castelo da Pena, Pennafidelis”.
Este, por sua vez, terá sido sucedido pelo Castro Reguengo,
situado a Sul da actual Cidade de Penafiel.
A Paróquia, no Séc. XIII, era de herdadores
descendentes dos “ presores” iniciais, de origem
asturiana ou moçárabe.
Alguns tornaram-se grandes senhores, como o tantas vezes citado
D. Egas Moniz (Séc. XII e XIII) que possuía as honras
de Louredo e Moazares, ocupando esta toda a região
que é hoje pertença de Novelas.
Novelas
pertencia nessa época a Pero Pais que a honrava, como
alferes que era de D. Afonso Henriques.
Outra grande Senhora, na primeira metade do Séc. XIII, era
a Rainha D. Mafalda que aqui herdara grandes terras duma
sua ama de leite, D. Urraca Viega de “Tuias” que foi filha
de D. Egas Moniz.
Se bem que, ao tempo, as terras pagassem dízimo aos senhores
eclesiásticos e laicos e também ao Rei (em
grande parte), muito das terras da Villa de Moazares nada
pagava ao fisco por ser honra “domine regine”. Não
se sabe ao certo, mas é muito provável que D. Mafalda
tivesse sido aqui criada pela ama D. Urraca.
Arrifana de Sousa, devido ao seu constante crescimento
passou de um simples arruamento da Freguesia de Moazares a
centro de todo o movimento da Freg uesia.
Porque a Igreja de Moazares começou a ficar pequena para
toda a população, esta exigiu que aqui se construísse uma nova
Igreja Matriz, João Correia, mercador rico, trouxe para
lá uma imagem de Cristo Crucificado, hoje na Igreja da
Misericórdia, outra de Nossa Senhora da Piedade e outra
da Senhora do Rosário.
Entretanto, a Freguesia tornou-se uma Comenda da Ordem
de Cristo, continuando as “justiças” a funcionar no
Carvalho das Sete Pedras, em Oldrões.
Nos finais do Séc XVI, uma grande feira ajudava a crescente
pujança de Penafiel que tinha importante indústria de
candeias de ferro que eram exportadas para Espanha e
Brasil.
O Séc. XVII vê o aglomerado populacional a expandir-se até
à Capela da Ajuda, rodeando já o espaço onde, em
1621 se começou a construir a Igreja da Misericórdia.
Pertencia ao Julgado e Castelo de Penafiel de Sousa.
Posteriormente passou a responder por Arrifana de Sousa,
tendo ascendido à categoria de Vila em 1741, por
Carta Régia de D. João V.
A Cidade de hoje chamava-se, na Idade Médi a,
Freguesia de S. Martinho de Moazares, com sede na capela
de Santa Luzia.
Trinta anos que são passados, já no Reinado de D. José,
nova alteração se dá.
El-Rei solicitou ao Papa Clemente XIV, a criação
duma Diocese e novo Bispado em Penafiel de Sousa,
com sede em Arrifana de Sousa, desfazendo, dessa forma, a
área existente da Diocese do Porto.
A 3 de Março de 1770, D. José elevou-a a Cidade.
Com a criação desta nova Diocese, Penafiel adquiriu novo
Termo, muito próximo da área do actual Concelho.
Além das terras do anterior Julgado, passaram a fazer parte
desse Termo as Honras de Barbosa, os Coutos
de Entre-os-Rios e Meinedo, Bustelo, Paço
de Sousa, a Vila de Melres e a Beetria de Galegos.
A Cidade tornou-se Sede de uma Comarca que
abrangia os Concelhos de Santa Cruz de Riba Tâmega,
Gouveia, Gestaçô e Unhão e as Vilas
de Tuías e Canaveses.
Singularmente a bula de 1 de Junho do mesmo ano, do
Pontífice Clemente XIV, elevou-a a Sede Episcopal,
abrangendo 102 Paróquias e a “Comarca”.
Para Catedral foi escolhida a Igreja da Misericórdia,
segundo Bula Papal de 11 de Novembro de 1778.
Mais tarde, no reinado de D. M aria
I, o Papa Pio VI aboliu a Diocese, tendo sido
reintegrada no Porto, ficando a recordá-la o Paço
Episcopal, belo edifício setecentista construído pelo povo.
Com tal promoção, mobilizaram-se os Penafidelense num
novo ordenamento urbano, modificando completamente a entrada
da Cidade junto à Capela do Calvário onde apareceu a
Praça de São João.
Nivelou-se a Rua da Piedade de Baixo, transformou-se a
Ru a
da Ajuda em Praça, remodelaram-se as Igrejas do
Carmo e de São Francisco, e deu-se nova orientação
ao Convento das Capelas.
O belo e Medieval Centro Histórico embora rodeado por
edifícios e arruamentos novos, manteve toda a sua nobreza e
dignidade.
O Convento dos Capuchos, restaurado após o incêndio sofrido
nas guerras civis, foi cedido para o Hospital.
A antiga Capela de São Mamede, para que se tornasse
possível a Praça de São Mamede, passou a sacristia da
Igreja do Calvário.
Como parte integrante do Termo do Porto, Penafiel tinha uma
Companhia de Ordenanças, comandada por um Sargento-mor.
A partir de 1780, a escolha dos oficiais de ordenanças
passou a ser feita pela Câmara de Penafiel.
As invasões francesas, trouxeram com elas muita morte e
destruição.
O Mosteiro de Paço de Sousa e o Mosteiro de Bustelo,
não escaparam aos horrores da guerra.
Em Marecos, destruíram figuras que datavam do Séc. XV
que representavam S. Jorge e o Dragão.
Em Fonte Arcada, destruíram o arquivo paroquial.
O Convento dos Capuchos situado de forma a dominar o
Vale do Sousa e a estrada real do Porto, sofreu total
incêndio em 1832.
Neste Séc. XIX, a Cidade que se estava
transformando, sem deixar de ser uma passagem obrigatória de e
para o Porto e para o interior, abandonando a antiga
ponte de Cepêda, a entrada pelo Carmo e pela Rua
Direita, todo o transito começou a circular pela ponte das
Coutinhas, onde vinha dar a estrada de Entre-os-Rios e
onde se passava para a Piedade de Cima pelo Calvário
até ao Largo das Chãs.
A linha do Douro, que na primeira fase ligava Ermesinde
à Cidade de Penafiel, foi inaugurada em 29 de Junho de
1875.
Ligou-se a Rua do Carmo à Estrada da Aveleda e
construiu-se uma saída que ligou a Estrada Real e o
centro urbano à Estação de Novelas.
Em 1890, era anunciada uma empreitada de abastecimento de
água a vários locais. Porém, só em 1927 se fizeram furos em
Duas Igrejas, ficando a rede reforçada com os depósitos do
Alto do Sameiro e Alto do Crasto, que recebiam água
duma conduta que a trazia de junto da ponte das Coutinhas.
Nos inícios do Séc. XX, já o Caminho-de-ferro
funcionava entre Novelas e Entre-os Rios e,
posteriormente, até à Lixa.
Com a iluminação pública feita a gás, dá-se a chegada da
luz eléctrica no ano de 1912.
Mas não só a Cidade de Penafiel cresceu com o decorrer dos
tempos. Hoje, num passeio que se dê por esse Concelho
afora, encontra-se movimento, modernismo e vontade de seguir para
um futuro que se vê a cada dia que passa, mais promissor com o
laborar de todas as gentes que constituem este Concelho.
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