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“Região cheia de luz clara e saudável (...), ares puríssimos quer
nas montanhas em que a região é abundante, quer nos vales amenos e
encostas (...). Afora os cimos das serranias, todo o terreno está
coberto de vegetação.”
É neste termos que José Júlio da Mota Barbosa nos descreve
a região de Penafiel.
O Concelho de Penafiel é isto, mas não só. É também tudo o
que lá está construído e adquirido pelo Homem através de
séculos de arte, técnica e saberes acumulados.
Deixe-se pois, viajar por aqui. Faça-o com os olhos bem abertos e
os ouvidos nada moucos. O verde rodeia-o. Um tom mais escuro será
certamente o dos pinheirais e giestas, o verde mais vivo é o da
relva e dos milheirais e o mais seco é seguramente o das vinhas.

Penafiel, Cidade sede do Concelho do mesmo nome, situa-se a 302
metros de altitude, entre os rios Sousa e Cavalum,
numa encruzilhada de caminhos e ponto de passagem obrigatório
entre o Porto e Vila Real.
Pertence ao Distrito do Porto, precisando-se apenas de
20 minutos para cumprir os 30 km que a separam da
Capital Nortenha.
O seu território, envolvido a Norte pelo rio Sousa e
terras dos Municípios de Lousada e Amarante, a
Nascente pelo Concelho de Marco de Canavezes e
rio Tâmega, a Poente pelos Concelhos de Gondomar,
Paredes e novamente pelo rio Sousa e a Sul
pelo rio Douro, espraia-se por uma área de aproximadamente
212,82 Km2, repartidos por 38 Freguesias.
Alfabeticamente ordenadas, são as seguintes: Abragão, Boelhe,
Bustelo, Cabeça Santa, Canelas, Capela, Castelões, Croca, Duas
Igrejas, Eja, Figueira, Fonte Arcada, Galegos, Guilhufe, Irivo,
Lagares, Luzim, Marecos, Milhundos, Novelas, Oldrões, Paço de
Sousa, Paredes, Penafiel, Peroselo, Pinheiro, Portela, Rans, Rio
Mau, Rio de Moinhos, S. Mamede de Recesinhos, S. Martinho de
Recesinhos, Santa Marta, Santiago de Subarrifana, Sebolido, Urrô,
Valpedre e Vila Cova.
Geologicamente o granito é nota dominante e a sua exp loração
ocupa lugar proeminente nas actividades produtivas.
Sousa,
Tâmega e Douro são os seus principais cursos de
água.
Como corolário os terrenos são férteis, com grande variedade de
produções, nomeadamente milho, feijão, frutas,
vinhas e hortícolas, sem esquecer a pecuária.
Assim temos que, o extremo Oriente, na Freguesia de
Abragão, tem excelentes solos e produz vinhos muito
apreciados; A Sul, o milho e a videira
coexistem com a floresta de resinosas, e eucalipto,
fonte de receita para o Concelho; A pecuária, tanto na
carne como no leite constitui outra riqueza; Rio
Mau tem no mel o seu ex-libris; Valpedre é
tradicional centro transformador de derivados de leite;
S. Martinho de Recezinhos é uma das melhores regiões
produtoras de gado e por todo o resto do Concelho
nos vamos deparando com as mais diversas formas de exploração
agrícola.
Comércio e serviços são, no entanto, a principal
ocupação da gente activa do Concelho.
Arquitectonicamente, o Concelho é por deveras rico.
Na Freguesia de Irivo, fica o Mar moiral
da Ermida, pequeno Memorial Medieval, bem conservado;
em Oldrões, próximo do Lugar das Sete Pedras,
primeiro acento dos “Homens Bons” desta região, ergue-se a
Casa do Reguengo, construção de enormes dimensões,
nunca concluída, que se destinava a albergar os Senhores do
Reguengo Real, e o Castelo de Penafiel, castelo
medieval, arruinado, que foi Sede do Julgado de Penafiel de
Sousa e onde, num penedo do alto do mesmo, está esculpida a
figura de um guerreiro.
As ruas da Cidade, falam-nos de diversas épocas.
A Rua Direita dá acesso à zona antiga onde se impõe a
Igreja Matriz de evocação a S. Martinho; Na Praça
Muni cipal
relevamos o edifício da Câmara Municipal, a Igreja da
Misericórdia, antiga Sé Catedral do extinto Bispado
de Penafiel, o Pelourinho e o monumento aos mortos
da 1ª Grande Guerra.
A arte Românica afirmou-se também por aqui em pleno
esplendor. Num raio de 11 km há 11 igrejas que
acusam esse estilo.
A maior relíquia é a Igreja de S. Gens de Boelhe, igreja
românica, construída no fim do Séc. XII, foi restaurada no
Séc. XX (1950) tendo-a Miguel Torga classificado
como “Brinquedo
Divino”.
Flanqueando o
portal,
três arquivoltas as sentes
em colunas trabalhadas com ábacos e capitéis.
A envolvê-lo,
uma trança rendilhada e sobre a mesma, uma janela, também
esta com colunas a envolvê-la.
A rematar, no alto, uma pétrea Cruz de Malta e,
lateralmente, amb as
as cornijas decoradas com fina cachorrada.
À entrada, do lado esquerdo, para que os crentes se purificassem
antes de entrarem no templo, uma Pia de Água Benta.
Em Cabeça Santa situa-se a Igreja de S. Salvador da
Gandra, te mplo
românico do princípio do Séc. XIII que já guardou um
crânio cuja fama de santidade levou à mudança de nome da
Freguesia.
Donde veio, ou a que
Santo
ou Santa pertenceu, nunca ninguém o soube dizer, nem
nenhuma lenda ou tradição o explica.
Apenas consta
qu e,
desde sempre, tal relíquia esteve exposta à veneração dos fiéis,
num altar privativo existente na nave, do lado do Evangelho.
Nos últimos
anos do Séc. XVII, o Padre António de Carvalho da Costa
(um dos maiores historiadores da época) diz tê-l a
aí visto.
Abragão
tem belo exemplo da arquitectura românica na sua Igreja
Paroquial da qual resta a Capela-mor abobadada e o
arco-cruzeiro com a rosácea.
Todo o conjunto embelezado com pinturas e, apesar de estar
classificado com o Monumento Nacional, é mais um dos muitos
votados ao abandono por quem possa e deva tratar da sua
conservação.
Quatro colunas trabalhadas com belos capiteis, completam o
conjunto.
O
Altar-mor com Jesus Crucificado ao centro, tem de
seu lado direito a imagem do Padroeiro da Freguesia, S.
Pedro e de seu lado esquerdo Nossa Senhora da Conceição.
Construída no ano de 1200, segundo alguns autores, já que
outros defendem o Séc. XII como sua data de construção, foi
reedificada em 1668 pelo Abade Ambrósio Vaz Golias,
conforme consta, em inscrição latina, por cima da sua entrada
principal.

O corpo da Igreja românica foi destruído no Séc.
XVII.
Em Eja, a Igreja de S. Miguel da Eja, é românica
tardia.
Erguida nas margens do Douro já com muitos elementos
góticos, está situada próximo da antiga Cividade de Eja,
povoado fortificado transformado na alta Idade Média em
cabeça da Terra de Anégia.
A Igreja do Mosteiro de Paço de Sousa é de estilo românico
e foi propriedade da ordem de S. Bento, cuja Patrona era a
Família Ribadouro, à qual pertenceu D. Egas Moniz
aqui tumulado.
O arquivo afirma que o
Mosteiro
se encontrava fundado e com monges pelos anos de 962
e o primeiro abade do Mosteiro, D. Randulfo, fez o seu
testamento em 994, sendo o mais antigo documento existente
de Paço de Sousa (Livro dos Testamentos do Mosteiro de Paço de
Sousa, Braga, 1972).

No Norte do Concelho, sobressai o Convento de
Bustelo sobre o qual existem fontes a apontar para um
anterior, românico, com fundação em 1065 e que teria dado
origem ao actual que sofreu profunda reforma no Séc. XVII.
A fundação do Convento de Bustelo segundo velhos
alfarrábios, ter-se-ia dado pelos anos de 900, pela mão de
um filho de D. Fayão Soares, fundador de Penafiel.
Estando em permanentes obras até ao início do Séc. XIX, tem
a primeira pedra lançada a 13 de Agosto de 1633. Durante a
sua existência, o Mosteiro pertenceu à Ordem de São
Bento, sendo por isso, ha bitado por Monges Beneditinos.
É também significativo o repositório de Paços e Solares.
São as residências senhoriais como as quintas e
casais nobres de Rio de Moinhos, a Casa do
Muro em Paredes, onde se refugiava Alexandre
Herculano; a Casa do Seixo, em Recezinhos, berço
de poemas de António Nobre; o Solar dos Brandões e
Balsemões; o Solar Barbosa, armoriado, com torre
reedificada no Séc. XV; o Solar da Torre, em
Coreixas; a Honra de Barbosa, em Rans; o Reguengo,
em Oldrões; o Solar de Cabanelas com capela, são alguns dos
locais a não perder.
O Solar da Aveleda, construído em 1671, tendo sido
aumentado no Séc. XIX será uma visita obrigatória.
Os
jardins exibem um secular pórtico armoriado e uma janela de
granito do Séc. XVI, conhecida por Janela da Reboleira.
Ao Sul do Concelho, as albufeiras dos rios Tâmega
e Douro proporcionam a prática dos desportos náuticos e
pesca desportiva.
Lugares de excelência são entre Abragão e
Entre-os-Rios, no Tâmega, e Entre-os-Rios e Rio
Mau, no Douro.
Em Entre-os-Rios, na Freguesia de Eja, situa-se a famosa
estância termal da Torre.
As suas águas são essencialme nte
benéficas para doenças respiratórias e de pele e, dos seus frequentadores habituais distinguem-se, entre outras figuras da
nossa literatura, António Nobre, Alexandre Herculano
e Ramalho Ortigão.
A 4Km de Entre-os-Rios, ficam as Termas de S.
Vicente na Freguesia de Pinheiro, e o seu balneário romano,
tendo como infra-estruturas de apoio o hotel, o «court» de ténis e
a piscina municipal.
Consideradas as mais alcalinas de entre todas
as águas sulfúreas existentes em Portugal, são recomendadas
para
doenças
circulatórias e respiratórias.
Sendo as gentes de Penafiel muito devotadas aos seus Santos,
são as festas e romarias da região muitíssimo
concorridas.
Das mais desta cadas, a Festa do Corpo de Deus,
é célebre pela sua Procissão.
É nesta Festa que a Dança das Espadas tem lugar.
É
também conhecida por Dança dos Ferreiros, já que a mesma
está, desde tempos idos, a cargo dos mesmos.
A do Carneirinho, na v éspera do Corpo de Deus,
consiste na entrega à professora, pelos alunos das escolas, de um
carneiro cuidadosamente enfeitado, depois de, com o mesmo, terem
dado uma volta à Cidade.
A Festa das Endoenças, em Entre-os-Rios, é
uma cerimónia impar.
Na Quinta-Feira Santa, esta festa adquire justa fama pelos
milhares de luzes que iluminam as encostas marginais dos rios
Tâmega e Douro.
A Festa da Senhora da Saúde, em Bustelo, é o dia dos
penafidelenses irem comer as merendas ao campo.
A Feira de São Bartolomeu, a feira das cebolas e a
Ag rival em Agosto, e o São Martinho em Novembro.
O
São Simão, na Freguesia de Urrô, fecha o ciclo anual
das romarias.
Das artes culinárias têm especial destaque o cabrito
assado com arroz de forno e arroz de cabidela com rojões.
Entre-os-Rios faz gala, na época própria, do sável assado,
arroz de lampreia e lampreia à bordalesa.
A regar o
opíparo, o bom Vinho Verde da região.
Para fim de repasto, os doces em que se incluem o leite-creme
ou o afamado pão-de-ló.
Tem-se ainda a oportunidade de
provar os doces tradicionais da terra como as tortas de S.
Martinho, pão podre e outros, servidos com um
cálice de boa aguardente velha.
À merenda delicie-se com o
presunto e os enchidos de porco, acompanhados pelo pão
de regueifa ou a tradici onal broa de milho e uma
malguinha de azeitonas.
Em
1952,
Gualdino Antunes começou a indústria de foguetes,
sendo a 1ª de Irivo. Hoje, é seu filho Laurentino
Antunes, quem lhe dá continuidade
Para mais tarde recordar, adquira no Concelho alguma bela
peça de artesanato regional.
Pode optar pela cestaria de
fitas de madeira, as toalhas e colchas de linho,
os co bertores de lã e mantas de trapos de tecelagem
manual ou ainda objectos de ferro e caldeiraria.
As
miniaturas de madeira perpetuam a memória dos antigos
trabalhos rurais. Hoje quase desaparecidas estão as artes de
passamanaria de palheta, tamancaria, latoaria, etc.
O
melhor será visitar as oficinas dos primeiros e surpreendê-los em
pleno labor e relembrar os segundos através da exposição do
Museu Municipal.
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