HISTÓRIA

Fértil e bem regada, esta região, ofereceu condições propícias à instalação das comunidades humanas desde os tempos mais remotos. A Anta do Padrão, uma parte da qual se pode apreciar na Biblioteca-Museu de Paredes, e outras existentes na zona, estarão na origem do nome Lugar de Mamoa na freguesia de Baltar.

Castro Muro situado na serra do mesmo nome, em Vandoma e Pena, são outras referências castrejas importantes, nomeadamente a primeira por ter tido uma muralha com cerca de 4 metros de espessura e 4,3Km de perímetro, a maior muralha da Península Ibérica ao seu tempo.

O Castro de Vandoma terá estado ligado às origens e povoamento do território.

Os invasores Germânicos que por lá apareceram nos inícios do século V, instalaram-se nas proximidades das fortificações pré-existentes, que aproveitaram para defesa das suas “villas”.

Vários vestígios da ocupação romana foram encontrados no Concelho :Necrópole em Parada de Todeia, com um santuário à divindade pagã Tutela, donde terá derivado Todeia.

A “Mamoa de Brandião”, em Aguiar de Sousa, já é referida nas Inquirições de 1258, “mamonam de brandiam” como termo de demarcação.

Recentemente foram encontradas e referenciadas pinturas no dólmen do Padrão em Vandoma e em aras de Sta. Comba em Sobreira que confirmam a antiguidade megalítica do povoamento da região

Desde o séc. VIII, o espaço ocupado pelo actual Concelho de Paredes pertenceu a um vasto território, o Território de Anégia. A documentação da época (séc. VIII/séc. XI) fala-nos do Território de Anégia mostrando-o a ocupar um espaço geográfico para Norte e Sul do Rio Douro. Esse espaço ia desde as terras superiores do Rio Ferreira, aos vales do rio Sousa e do rio Tâmega, passando para o sul do rio Douro até metade do rio Paiva. A rodeá-lo, ficavam os Territórios da Feira, Lamego e Portucale.

Todo este território, centro administrativo de um extenso julgado, foi tomado por Almançor em 995. Mohamed Almansor, Almançor ou Al-Mansur, consoante os autores,(939-1002) foi regente do reino de Córdoba e famoso capitão dos mouros de Espanhao. Tendo sido o mais célebre chefe Muçulmano da Península Ibérica dominando os seus destinos desde 976, empreendeu 52 campanhas contra os cristãos da Península Ibérica tendo saído vitorioso de todas elas.

Em 985 tendo conquistado Barcelona, destruiu-a  pelo fogo; em 987, conquistou Coimbra  e, 10 anos passados, em 997 chegou a  Santiago de Compostela, cujo templo destruiu.

Conta-se que terá morrido de desgosto por ter sido derrotado na batalha de Calatañazar pelos reis de Leão, de Castela e de Navarra.

São várias as crónicas que aludem às campanhas de Almançor no Castelo de Aguiar de Sousa, tendo sido neste local que este rei mouro sofreu as suas maiores derrotas. A lápide aí colocada em 1940 tem a seguinte inscrição: “Junto das ruínas deste Castelo tomado pelos Cristãos ao Almançor nos arrebois da Pátria, foram comemorados o 8º Centenário da Fundação e o 3º da Restauração de Portugal. Aguiar de Sousa-Paredes”.

O Bispo de Vendome, Gonçalo Oveco (ou Ouveques) que se fixou nestas paragens no séc. X para onde veio acompanhado de outros cavaleiros empenhados no esforço da Reconquista Cristã, é dado como autor da construção das muralhas já referenciadas, com a sua fortificação, mais tarde castelo ou defensáculo.

Os Coutos e as Honras, sempre foram lugares privilegiados, pois dependiam directamente dos seus SenhoresClero ou Nobreza – os quais gozavam de privilégios de natureza fiscal, judicial e militar, não pagando impostos, tendo justiça própria e mais; podiam impedir a entrada ou circulação no seu espaço, inclusivamente a representantes do próprio Rei.

Pelas Inquirições de 1258, sabemos que o Couto do Mosteiro de Vilela tinha vinte e três casais, o Mosteiro de Vandoma, igualmente coutado por D. Afonso Henriques possuía vinte e sete casais, todos do Mosteiro, excepto seis, mas todos fazendo foro ao Rei.

Á Paróquia do Mosteiro de S. Salvador de Lordelo, próximo de Vilela, pertenciam doze casais, sendo oito do próprio Mosteiro e os outros quatro dos Cavaleiros Brandões.

No Couto do Mosteiro de Cete, havia então vinte e seis casais, todos do Mosteiro, excepto quatro, que eram do Mosteiro de Paço de Sousa.

Todos davam um terço da colheita ao Rei.

O património destes Mosteiros compreendia: parte da Igreja de Vila Cova, a de S. Romão de Mouriz, a de Santa Maria de Febre e a de Santa Maria de Parada - Mosteiro de Cete; parte da Igreja de Santa Maria de Duas Igrejas e a de S. Martinho de Campo - Mosteiro de Vilela e finalmente, 10 casais na Paróquia de Vila Cova que pertenciam ao Mosteiro de Vandoma.

O território do actual Concelho de Paredes, corresponde à parte norte daquela que foi “terra” medieval de Aguiar de Sousa, que recebeu Carta de Foral em 1269, do nobre cavaleiro Estevão Rodrigues, confirmado em 1411, por D. João I, é a localidade com maiores pergaminhos históricos. Foi propriedade dos Marqueses de Fontes, de Abrantes e finalmente da Coroa. O seu Castelo, ou as ruínas que dele restam, encontra-se perto da Foz do Rio Sousa, no cimo de uma pequena elevação, onde ainda hoje se podem ver vestígios das suas fundações e alicerces. Construção em quadrado irregular, como uma grande parte deste tipo de construções, tinha por acesso um íngreme carreiro na vertente Noroeste, impossibilitando dessa forma a subida de possíveis hordas ou povos invasores. Através de sepulturas que por esses lados apareceram, conclui-se que aí viveram povos Visigóticos, muito antes da Fundação do Castelo. Martinus Fernandi, Pároco local, descreve a freguesia de então (1258), da seguinte forma:

Começa no lugar que se chama Bico; daí segue pelo fim da Serra do Castinçal e passa à Praça da Armada; daí pelo limite da Serra da Ferrugenta como vem a água contra o Castelo e topa na porta; depois pelo canal do Ribeiro do Osso do mesmo modo que vai dar a Real; em seguida ao fim de Figueiró; depois para a Portela de S. Salvador de Recarei, do modo como corre água; em seguida para a corga de Louredo; depois para a portela de Sertã; em seguida para o fim de Bedões maiores; depois para o Seixo de Senrela; depois pela crista de cima do Monte Agudo, como corre a água; depois pelo vale de Cadela pequena; depois para a Mamoa de Brandião; depois pelo fim da Serra de Açores, como corre a água; depois vai topar no Bico.”

A 25 de Novembro de 1513, D. Manuel I atribui o Foral a “Aguyar de Sousa”.

Nas “Memórias Paroquiais” de 1758, o Abade João da Silva, Pároco de então, sobre Aguiar de Sousa, diz que, pertencendo à Comarca de Penafiel, e sendo de Apresentação do Real Padroado, “está situada entre quatro montes, e se não descobre mais do que lugares da mesma freguezia. Os lugares que comprehende em si os fogos, e as pessoas assima ditas. A paróquia está no ditto lugar de Senande, e fora delle comprehende mais coatro lugares, como bem a ser o lugar de Sernada, que tem vinte e seis fogos, e pessoas noventa. Brandião que tem seis fogos, e vinte pessoas. Aguiar tem sincoenta e sinco fogos, e cento e noventa e sete pessoas. Alvre trinta e sete fogos, e cento e vinte e sinco pessoas”.

Em 1837, extinguiu-se Aguiar de Sousa, como Concelho, sendo integrado, pouco tempo depois, no Concelho de Paredes.

Rico em História de vários séculos, foi criado em 6 de Novembro de 1836, na sequência da Constituição de 1820.

Formou-se um Concelho com 23 Freguesias, a partir das 36 que, durante séculos, constituíam o Concelho e Julgado de Aguiar de Sousa. Muitas das actuais Freguesias do Concelho constavam já nas Inquirições de 1258 mandadas realizar por D. Afonso III. Nestas Inquirições, aparece já aquele que foi o 1º Foral ligado a estas terras e refere-se aos homens de Aguiar e Paroquianos da Igreja de S. Romão, e mais diz que as diferentes terras pagavam os impostos ao Rei ou aos Conventos de Cete, Vandoma e Vilela. Em 6 de Novembro de 1836, com a reorganização administrativa do País, feita por Passos Manuel, por Decreto dessa data, é criado o Concelho de Paredes.           

Em Carta Régia de 7 de Fevereiro de 1844, mandada passar por D. Maria II, pode ler-se o seguinte:

Dona Maria por graça de Deus, Rainha de Portugal, Algarves e seus domínios, Faço saber aos que esta Minha Carta virem que Eu Fui Servida de Mandar passar o Alvará de Theor seguinte:

Eu a Rainha Faço saber aos que este Meu Alvará virem, que Considerando que na Povoação de Paredes se acha estabelecida desde remotas eras a cabeça do respectivo Concelho, e que a esta attendivel circunstância accresce a de possuir a mesma Povoação os necessários elementos para sustentar com dignidade a categoria de Villa, visto a qualidade de seus edificios, entre os quaes se distingue uma bella casa da Camara Municipal, a importancia do seu commeercio e o sufficiente numero de habitantes; e tomando outro sim em consideração os claros testemunhos que estes Me teem dado da sua nobre devoção ao Throno e á Carta Constitucional da Monarchia: Hei por bem e  Me Praz Conformando-me com parecer do Governador Civil do Districto do Porto, e deferindo a representação da Camara Municipal do Concelho de Paredes, que a dita Povoação do dia da publicação d’este Alvará em diante fique erecta em Villa de Paredes, e que como tal gose de todas as prerrogativas que direitamente lhe pertencerem. Pelo que Mando a todos os Tribunaes, Auctoridades, officiaes e mais pessôas a quem o conhecimento d’este Alvará competir que o cumpram como nélle se contém, sem duvida ou embargo algum. E por firmeza do que dito é, Ordeno que pela Secretaria d’Estado dos Negocios do Reino selhe passe Carta em dous differentes exemplares, que serão por Mim assignados e sellados com sello pendente das Armas Reaes; a saber: um d’elles para seu titulo, e o outro pra se remeter á Torre do Tombo.

Só em 1875, ano em que passou a Sede de Comarca e Cabeça de Julgado, Paredes alcançou plena autonomia.     

A culminar todo este processo, temos a elevação de Paredes a Cidade, em 20 de Junho de 1991.

A Lei Vigente exigia que a elevação de uma localidade só se concretizasse se a mesma possuísse, pelo menos, metade dos requisitos enunciados na mesma.

Paredes, reunia-os a todos.

Um deles, seria a existência de Parques ou Jardins Públicos.

A satisfazê-lo, está o Parque José Guilherme, excelente zona de lazer, fronteira à actual Câmara Municipal.

Das personalidades que marcaram a sua passagem pelo Concelho, poderemos, seguramente, destacar entre todos:

- José Barbosa Leão (1818-1888). Nascido em Parada de Todeia, foi Médico, Jornalista, Político e Secretário-Geral do Governo de Moçambique e de Angola.

- Conselheiro José Guilherme Pacheco, nascido a 10 de Fevereiro de 1823 no Rio de Janeiro, veio com seus Pais para Portugal, com tenra idade de 6 meses. Licenciou-se em Direito em 1852, instalando-se posteriormente, em Paredes, como advogado.

Tal foi a sua dedicação à Terra Adoptiva, que acabou por ser Presidente da Câmara de 1864 a 1871 e em 1878.

Foi deputado às Cortes, Governador Civil de Angra do Heroísmo ( Açores ) Presidente da Junta Geral do Distrito do Porto e da Comissão Inspectora das Escolas Normais.

Foi ele quem operou as grandes transformações com que o Concelho veio, então, a beneficiar.

De entre as várias obras, temos a passagem da Linha Férrea do Douro, pela então Vila de Paredes; também de sua responsabilidade, as três Estações de Caminho de Ferro dentro do Concelho; construiu grande parte das Estradas e Escolas de Paredes; criou a Comarca hoje existente e instalou o Telégrafo, meio fundamental para as comunicações da Época.

Por tudo isto, se mais não houvesse, também se lhe pode prestar homenagem junto do Monumento que se ergue no cemitério de Paredes.

No Jardim, já referido, defronte à Câmara Municipal, encontra-se um Monumento com a estátua daquele a quem muitos chamaram o Rei de Paredes.

Conta-se que numa visita de D. Luís ao Concelho e do seu encontro com o Conselheiro, D. Luís terá referido que se tratava do encontro de um Rei com outro Rei, ao que Guilherme Pacheco terá respondido que não, pois se D. Luís era um Monarca apenas constitucional, ele era um Rei Absoluto.

- António Moreira Cabral nascido em Cete a 22 de Outubro de 1833. Cerca de oito mil livros, alguns raros, catalogados em dois volumes, constituem a biblioteca por si formada. No final da vida dedicou-se a obras de benemerência nos Hospitais da Misericórdia e da Lapa, no Porto, onde tem o seu retracto nas Galerias de Honra.

- Padre João Mateus (1867-1955) nascido em Beire a 26 de Setembro, foi Abade de Vilela entre 1891 e 1955 e Vigário da Vara entre 1909 e 1955. Pelo muito bem que fez, pelas muitas saudades que deixou a todos quantos o conheceram, tem um busto erigido ao lado da Igreja do Mosteiro de Vilela. Dentre os vários “milagres” operados, em vida, conta-se que, estando um dia, um lavrador, a querer subir uma ladeira com um carro de bois carregado, por muito que o homem se esforçasse e batesse nos animais, a verdade é que eles, coitados, por muito esforço que fizessem, caíam de joelhos, escorregavam e não conseguiam levar a sua tarefa a bom termo. Estando a passar nesse momento, o Padre João Mateus “meteu pés ao caminho” indo ter com o homem e os seus bois e, começando a falar com os animais – “vamos boisinhos, há que fazer o nosso trabalho; vamos que eu ajudo” – a verdade é que os bois começaram a subir pela encosta escorregadia, com o Padre a seu lado, só parando lá no topo.

- Padre Manuel Alves Correia (1891-1948) nascido em Sarnada - Aguiar de Sousa em 6 de Abril, foi Sacerdote Franciscano, missionário, professor e escritor.

- Virgílio José Gaspar Pereira (1900-1965) nascido em Vilela, a 7 de Outubro. A Banda Musical de Vilela, a mais antiga Associação de Paredes, foi fundada por seu Pai, o Prof. António Gaspar Pereira. Funda o Orfeão Infantil do Porto, apenas com 19 anos, sendo, já nessa altura, prof. Primário e Director da Escola Anexa à Normal do Porto. No seu percurso musical, fundou e dirigiu o Orfeão Castro Araújo, em Lordelo; Orfeão Oliveira Martins; Coro infantil do Porto; grupo coral Pequenas Cantoras de Portugal, mais conhecido como Pequenas Cantoras do Postigo do Sol; Foi Director do Orfeão do Porto (1951-1958); Teve a seu cargo o Conservatório, o Orfeão e o Coro Etnográfico da Covilhã. A par desta actividade, fez também trabalhos de recolha sobre o Cancioneiro no Interior do País. Foi agraciado com o Grau de Cavaleiro da Ordem da Instrução Pública.

- Padre Francisco Moreira das Neves (1906-1992) nascido em Gandra, a 18 de Novembro foi escritor, jornalista e poeta.            

No que concerne o Monumental Histórico surgem Mosteiros, Capelas, Igrejas e Pelourinhos, implantados por todo o território Concelhio, enriquecendo a bela paisagem natural que o constitui.

 Alguns destes monumentos, perdem-se na noite dos tempos ou surgem envolvidos em lendas e mistérios que formam, por si só, um outro Património.

Vários destes Monumentos estão classificados pelo IPPAR como Monumentos Nacionais ou Imóveis de Interesse Público.

Dos primeiros, a referir a Igreja do Mosteiro de Cete – anterior à Nacionalidade e um dos mais antigos de Portugal.

Dos seguintes: Capela ou Ermida da Senhora do Vale e Cruzeiro fronteiriço, em Cete; Igreja de S. Tomé em Bitarães; Muro, da Serra do Muro em Vandoma/Baltar; Pelourinho de Louredo; Pelourinho de Paredes; “Torre dos Mouros”, em Lordelo.