INTRODUÇÃO

A cerca de um quarto de hora da capital nortenha, pela A4, o Concelho de Paredes integra-se numa das regiões mais prósperas e belas de Portugal - o Vale do Sousa. As características paisagísticas deste rio são cada vez mais raras em Portugal e no Mundo. Rio e serras são dois elementos importantíssimos, aliás, sob o ponto de vista turístico, pelas condições que oferecem para a prática de canoagem e alpinismo.

O Concelho é detentor de vastos recursos naturais. Na parte sul, os vales cavados pelos rios Sousa e Ferreira, contrastam com a imponência de declinosas vertentes numa combinação paisagística de grande valor. E no curso destes rios, dois lugares de privilégio: o Salto, também conhecido por Boca do Inferno, na Freguesia de Aguiar de Sousa e as quedas de Penhas Altas, na Freguesia de Lordelo.

Situada no lugar do Salto, a Capela da Senhora de Salto foi construída como agradecimento ao milagre feito por Nossa Senhora.

Conta-nos a lenda que, indo cavalo e cavaleiro perseguindo o Diabo (em forma de veado), saltaram ao mesmo tempo sobre o abismo, pousando, no entanto, suavemente na outra margem (situada a umas boas dezenas de metros mais abaixo) no sítio onde, ainda hoje, se vêm as marcas das ferraduras do cavalo!

Em sinal de agradecimento, o Cavaleiro terá mandado construir a Capela que hoje aí se encontra”.

Dentro da Capela, encontra-se uma vetusta imagem, com as cores desgastadas pelo tempo, que deu origem à grande devoção da população local e das redondezas.

No lugar de Pias, em Castelões de Cepeda, as águas do Sousa movem ainda alguns moinhos. O devaneio é-nos oferecido aos olhos do cimo da Serra do Muro em Vandoma/Baltar; do alto de Louredo e na Serra do Raio, em Aguiar de Sousa.

As feiras de Paredes são, pela grande quantidade de gado negociado, das mais concorridas do Norte do País. Acontecem a 6 e 14 de cada mês, em Recarei; 8 e 24 em Bitarães; 7 e 23 em Cete; e feira de 2 de Maio de gado cavalar em Paredes.

De entre as festas e romarias existentes no Concelho destacamos: Santa Águeda, em Recarei, no 1º Domingo de Fevereiro; Senhora do Salto, em Aguiar de Sousa, no 1º Domingo de Maio e no 3º Domingo de mesmo mês, a Senhora do Bom Sucesso em Vandoma. As festas da Vila de Rebordosa, têm lugar no 1º Domingo de Julho e as da Cidade e Concelho de Paredes, em honra do Divino Salvador, no 3º Domingo do mesmo mês. O feriado municipal é agora no dia 20 de Junho, data da elevação de Paredes a Cidade. A Senhora dos Chãos, em Bitarães e a Senhora do Salto em Cete, têm lugar logo no início de Setembro. Em Rebordosa é muito concorrida a “Serragem da Velha”, considerado um uso quaresmal.

Paredes possui excelente gastronomia tradicional, onde se destaca o cabrito à moda de Paredes com arroz de forno e, para sobremesa, a sopa seca.

Possuindo privilégios invejáveis – clima, paisagem e património cultural - Paredes adquiriu capacidade de bom aproveitamento de recursos em virtude de construir um centro de convergência de importantes vias que rapidamente a ligam ao centro do Porto, ao aeroporto de Pedras Rubras, ao porto de Leixões (cerca de 15 minutos a cada um), Braga e Vila Real.

Muito embora o sector primário esteja em último lugar na percentagem de distribuição de activos com cerca de 12%, o agrícola e o agro-pecuário não desprezam contributos para a sólida e próspera economia do Município privilegiando toda a zona envolvente do fértil Vale do Sousa: cereais, batata, feijão, legumes, hortaliças e os famosos melões apimentados. A vinicultura assume também parcela importante no desenvolvimento do concelho. Gado bovino (raça turina e barrosã), ovino e suíno, completam este sector, pela pecuária.

O sector secundário absorve mais de 60% da mão-de-obra evidenciando grande importância para a economia da região. As prósperas indústrias da madeira e marcenaria creditam o concelho como a maior zona industrial de mobiliário do País, situando-se em primeiro lugar tanto em produção como em vendas a nível Nacional. À alta qualidade internacional alia-se o cuidado de pormenor, daí resultando características ainda próprias das belas peças artesanais. Sendo esta indústria, aqui, herdeira de tradições seculares, são Lordelo e Rebordosa os seus centros históricos.

Segundo Andrew Brunt no seu Guia dos Estilos de Mobiliário, tanto o mobiliário espanhol como, embora com menor grau, o português, sofreram influência do prolongado domínio dos Mouros, na Península Ibérica. O seu estilo curvilíneo e de motivos abstractos complicados assim como o seu gosto por todo o tipo de couros finamente trabalhados, influenciou fortemente todo o trabalho de mobiliário ibérico.

Se por um lado o domínio Espanhol, por nós sofrido entre 1580 e 1640, teve a sua influência no trabalho português, o comércio entre Portugal e Inglaterra e, principalmente a mobília inglesa que Catarina de Bragança trouxe consigo, influenciaram, tanto na corte como na alta burguesia, o estilo do mobiliário adoptado.

O gosto que os Portugueses tiveram pelos torneados, manifesta-se de forma notória nas cadeiras do séc. XVII. Com pernas e travessa torneadas, as costas apresentam-se mais altas e estreitas, tendo, por vezes, o topo arqueado e decorado com latão, decoração tipicamente ibérica, sendo também usada em ferragens perfuradas que, nos armários e nas gavetas, rodeavam o puxador. É nesta época que, em imitações de modelos ingleses, aparece a versão portuguesa das cadeiras Rainha Ana, feitas em pau-santo brasileiro, que rapidamente se começaram a diferenciar, em estilo, das originais, com as suas pernas mais finas e o espaldar rematado por um motivo em talha. O tecido como acessório de luxo no mobiliário, é superado, no nosso país, pela decoração feita com madeiras torneadas e entalhadas.

Mais para o fim do século imitaram-se outros modelos aos quais juntamos pormenores em talha, sendo esta, por vezes, dourada. Só nas camas, mantivemos a nossa linha sem que qualquer influência estrangeira pudesse vir a alterar o nosso estilo. Estas, evoluindo até um aspecto vitoriano sem prumos, tinham uma cabeceira entalhada e por vezes parcialmente acolchoada.

O sector têxtil, também ele, tem contribuído com a instalação de várias indústrias. Zonas Industriais têm aparecido em quase todas as freguesias deste Concelho.

O sector terciário (comércio e serviços) está disseminado pelas sedes de Freguesia do Concelho, dispondo de áreas significativas onde os habitantes encontram tudo sem necessidade de dependerem do grande centro abastecedor (Porto). Este sector absorve a restante população activa.

Hoje, o território do Concelho de Paredes espraia-se por uma superfície de 156 km2 distribuídos por 24 freguesias.