
- Santa Cruz do Bispo,
cuja toponímia original seria Santa Cruz felgueiras, pois fez parte do
Julgado da felgueiras até 1835, tendo ainda sido designada como
Santa Cruz de Leça e Santa Cruz de Riba Leça, por influência de
D. Rodrigo Pinheiro, insigne humanista e Bispo do
Porto no século XVI, ligado ao apogeu arquitectónico e
paisagístico de Santa Cruz, com justiça, se ficou a chamar
do Bispo.
A Quinta de Santa
Cruz de Riba Leça, que era todo o vasto terreno doado à Sé
do Porto pela Infanta Santa Mafalda, foi transformado
num recanto maravilhoso de grande imponência que foi a Quinta
dos Bispos e actual Colónia Penal.
Assim,
transformou-se, de n
ovo, o aspecto da Quinta, desta vez sob
a influência de Nasoni.
De toda a beleza
arquitectónica, destacamos o seguinte: entrada principal –
grandioso portão artístico de pedra, trilobado de cantaria
encimado pelas armas do bispo D. José Maria Fonseca e Évora
que, em 1750 decidiu empreender reformas nesta imponente e
tranquila instância de repouso que se ergue no Largo,
junto da Igreja, considerado monumento de interesse
nacional; vários portões laterais de granito (cinco),
que rodeiam a Quinta; edifícios em pedra; o chamado
Palácio D. Mafalda; belíssimos fontanários de pedra,
dispersos pelos arruamentos da Quinta, etc..
Em 1623
contavam-se entres as capelas da freguesia a Capela N. Sra. da
Luz e dos Anjos (que se situava dentro da quinta e que talvez
constitua a razão pela qual a estrada principal da Colónia é
conhecida como Av. Dos Anjos), A Capela de Santo Isidro
e a Capela N. Sra. da Guia que se situava junto da
Igreja Paroquial embora num sítio ligeiramente diferente, pois
aquele onde hoje se ergue, data da reconstrução levada a cabo pela
Veneranda Viscondessa de Santa Cruz do Bispo, D. Maria
Dias de Sousa, em 1890.
Descendo de família pobre e não
sabendo escrever, foi-lhe o título de Viscondessa atribuído em
1892 por El-Rey D. Carlos, como reconhecimento e
consagração oficial da sua generosidade e qualidades de carácter,
cuja nobreza se reflectiu no contributo prestado à colectividade.
Falecida com 82 anos de idade, em 12 de Março de 1899, jaz
o seu corpo em sepultura própria na Capela de seu nome, no
cemi
tério Nº.1 da Freguesia a cuidado perpétuo da Junta.
Nesta Capela está uma
imagem de N. Sra. que merece apreciação quanto mais não
seja pela sua antiguidade.
Em 1623
existiam ainda as seguinte Capelas: N. Sra. do Livramento ou
das Candeias ou de S. Brás e a Capela do Mártir S.
Sebastião.
A Igreja matriz e
paroquial, com esbeltas linhas arquitectónicas, foi demolida e
reedificada entre
os anos 1756 e 1766, pelo Bispo do
Porto, D. Fr. António de Sousa, cuja pedra de armas foi
representada na sua frontaria.
Treze anos depois em 1769,
tendo sido atingida por um raio, necessitou de importantes obras
de restauro.
No monte de S.
Brás, podemos ver a famosa estátua do "Homem da Massa",
peça de grande valor Histórico-Cultural, e que sendo
encontrada entre as Capelas de Nª. Sra. do Livramento
e a do Mártir S. Sebastião, por volta do ano de 1935
terá sido deslocada para o cimo do Monte.
A estátua em granito
é esculpida apenas dos joel
hos para cima e, atingindo a altura de
uma pessoa, está profundamente mutilada nos olhos, nariz e boca,
faltando-lhe ainda os dois antebraços. A seu lado, encontra-se uma
figura de um qualquer animal, talhado no mesmo granito.
Diz a lenda que quem
atravessasse o misterioso monte de São Brás, coberto de
densa vegetação, para sempre desapareceria. Certo dia, um
audacioso rapaz decidiu atravessa-lo e munido de uma "maça"
de trabalhar o linho, meteu-se a caminho. Algum tempo depois e
talvez resultado de uma luta mortal, o seu corpo foi descoberto,
junto do de um estranho animal selvagem semelhante a um leão. Para
assinalar o local onde se encontraram os corpos foram esculpidas
as imagens que ainda hoje ali se encontram.
No entanto a hipótese
que parece ter mais bases científicas, aponta para que essa famosa
estátua pertença a vestígios arqueológicos Romanos
existentes na zona, e que representará Hércules, ou seu
filho Amato.