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Perafita ou Parafita, como se lê nalguns documentos do
Séc. XVIII, ou ainda "Villa de Petra Ficta" como
aparece referenciada nas Inquirições de D. Afonso III, de 1258,
é limitada a Norte pela freguesia de Lavra e o
concelho da Maia, a Este pela freguesia de Sta. Cruz do
Bispo, a Sul pela freguesia de Leça da Palmeira e a
Oeste pelo Oceano Atlântico.
O nome desta
freguesia provêm do romano Petra ficta, pedra feita ou pedra
fixa, usada como marco para demarcação de "Villas",
isto é, propriedades rústicas pertencentes a particulares, a
mosteiros ou à Coroa.
A repetição popular
de Petra ficta, deu origem ao actual nome da freguesia –
Perafita
Esta freguesia
aparece citada em documentos do Séc. X sob o nome
Petrafita, que na Sardenha corresponde a
Piettra-fits, dólmen, e na França, a Pierre fitte.
Numa outra versão,
Pedra ficta, corresponde a pedra fixa, prumo, menir, etc.
Perafita
pertencia na Idade Média à "Comarca da Maya", tal como se
lê nas Memórias Paroquiais de 1758:
"A terra emque seacha
situada estafreguezia, hé na Comarca da Maya deste Bispado do
Porto. (...) digo que esta freguezia seacha situada sobre si digo
toda emplanicia, e a Igreja sobre si separada da povoaçaõ, tem
cinco Aldeyas chamadas Freyxieiro; Parafita; Goarda; Cabo do
Mundo; Pampellido. (...) o Orago desta freguezia, hé S. Mamede de
Parafita; (...) naõ tem Juis, esta sujeita as justiças do Porto,
só tem hum Ouvidor feito pella Camara do Porto (... )dista esta
freguezia da cidade do Porto duas legoas; e da capital do Reyno
cincoenta e duas. (...) confina es
ta
freguezia pella parte do Norte, com a do Salvador de Lavra, do
meyo dia com S. Miguel da Palmeyra, do Nascente com S.ta Cruz do
Bispo e do Puente com o Mar Ociano. Costa Brava que naõ ademite
embarcaçaõ de ninhua qualidade, por ser fragosa e cheya de
rochedos. (...)
Parafita vinte de
Abril de 1758. O Abb. Leopoldo Xavier Pereyra de Queyros."
A actual Igreja
Paroquial ergue-se no centro da freguesia, em frente à
Junta.
Com duas torres, uma
sineira e a outra com relógio e uma só nave , possui dois altares
laterais.
O baptistério
encontra-se no altar do lado esquerdo.
Na capela-mor,
destaca-se a figura de S. Mamede,
padroeiro
da freguesia, que se encontra envolvida em preciosa talha dourada
tipo Rocaille.
Datando do século
XVII, ostenta o brasão de armas de D. Jerónimo de
Meneses, Bispo do Porto.
Em meados do
século XVIII, tem a sua grande reforma interior: passou de
tres para cinco altares, sendo, também, enriquecida com talha
dourada.
Segundo as mesmas
Memórias Paroquiais:
"(...)Naõ continha a
Igreja velha mais de tres Altares, que era oda cappella Mor, com
dois colatraes da invocaçaõ de N. S. do Rozario e oitro da Senhora
Sta. Anna: Dipois que vim para esta Igreja, que vay em nove annos,
fis com o povo, que a reforma-se, e com effeito toda seacha de
novo, eda minha parte tenho feito a Cappela Mor, e tudo se acha
com milhor forma, grandeza, eperfeiçaõ, ecom desposiçaõ pára cinco
Altares: Deprezente conservao-se os velhos; tem-se feito plantas,
para a tr
ibuna
e Altares, no que se anda cuidando. A Igreja hê liza naõ tem
naves, nem Irmandades, sô ado Senhor, e do Socino.(...)"
Os azulejos da
frontaria assim como a torre do relógio pertencem já ao
início do século XX.
Perafita é,
também, local de merecido lazer e descanço para todos aqueles que
conhecem e procuram o seu Kartódromo como as suas praias de
belos e aprazíveis recantos e suaves areais.
O Cabo do Mundo,
é um dos recantos onde só alguns conhecedores conseguiam chegar,
para aí desfruraem dos ares do mar e sol do verão.
E é aqui que as
instalações da Petrogal se encontram, abrangendo uma área
de 290 hectares, até à Boa Nova.
Foi a sua construção
,juntamente com as do Porto de Leixões, da linha férrea de
cintura que ligava com as
linhas
do Minho e Douro e do Aeroporto de Pedras Rubras,
hoje Francisco de Sá Carneiro, que contribuíram para a
explosão demográfica que se verificou a partir da segunda metade
do Séc. XIX.
No entanto, o salto
quantitativo mais importante, deu-se na década de 50
aquando da industrialização de toda a periferia da Cidade do
Porto.
Indústrias como a de
lacticíneos, de madeiras e de petróleos,
deram a Perafita o impulso para o crescimento que se
verificou até hoje.Com a construção mandad
a
edificar pela própria Câmara dos Despachantes, a construção
de grandes armazéns para os transportadores e transitários e
paralelamente de todo o tipo de serviço de apoio como restaurantes
e cafés, deram a Perafita toda uma movimentação até então
desconhecida na região. Também na zona litoral a restauração foi
implementada.
O Kartódromo do
Cabo do Mundo, já referido, foi o primeiro a ser construído em
Portugal.
O Obelisco da
Memória, (erroneamente chamado por alguns Memória do
Mindelo) monumento que perpetua o célebre desembarque de D.
Pedro IV com o seu exército a 8 de Julho de 1832, está
assente entre os limites desta freguesia e Lavra.
Com 25 metros de
altura, a pedra para a sua construção, foi extraída do monte
de Pampelido de Perafita. Tendo a sua primeira pedra sido
colocada a 1.12.1840, reinado de D. Maria II, por
vontade e decisão do dinâmico Administrador Geral , só
passados 24 anos ele veio a ficar como se encontra hoje,
sem nunca, no entanto ser concluído com a rosácea que lhe falta no
topo.
E transcrevendo
Abílio Brochado
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Separata de (Boletim da Biblioteca Pública Municipal de
Matosinhos) N.º 5:
"E para ali ficou,
então, para ali está ainda abandonado, apesar de ser, desde
30.12.1880, monumento nacional de 5ª classe.
Por isso já uma vez
lhe escreveram nas suas pedras: - «Padrão comemorativo da pouca
vergonha e do relaxamento dos nossos governos»."
