
-
Matosinhos, já no Séc. XI, ainda Portugal
não existia, surge em documentos como Matusiny ou
Matesinus, uma das villas romanizadas. Fez parte da
freguesia de Sendim, sede e julgado de Bouças.
No Séc. XVI, a
população de Matosinhos foi sujeita a determinados direitos
reais e obrigações pelo documento chamado "FORAL DE MATOSINHOS
TMO/ DA ÇIDADE DO PORTO DADO POLLAS INQUIRIÇOES/ DO TOMBO –
(1514)":
"Dom Manuel per graça
de Deos Rei de Portugal e dos Algarves daquem e dalem maar em
Africa Senhor de Guine e da Conquista Navegação e Comercio da
Ethiopia Arabia Persia e da India.
A quantos esta nossa
Carta de Foral dado a uilla Matosinhos uirem fazemos saber que per
bem das diligencias e isames que em nosso Reinos e Senhorios
mandamos geralmente fazer pera justificaçam e decraraçam dos
Foraes delles: E per algumas Sentenças e Determinaçoes que com os
do nosso Conselho e Leterados fezemos: Acordamos que as rendas e
direitos se devem hy darecadar na forma seguinte.
Mostrasse pollas
ditas inquiriçooês auer na dita terra antigamente çertos casaaes
anos tributarios & foreiros per muytas maneiras da qual maneyra se
agora Ia nã pagam por quanto os moradores da dita terra sam Ia
aforados novamete
per
outra maneira com as pessoasque denos teuerem as ditas Rendas &
ditos per prazos & aforamentos comtheudas em suas escripturas
segundo as quaaes auemos por bem que daquy adiante os ditos da
dita terra se paguem segundo for decrarado nas particulares
escipturas & emprazamentos que cada hua das ditas pessoas tivere
sem nisso se fazer nynhua emnuaçã nem outro mais acreçentamento com decraraçam
quesenam pagara lutosa denhuñ prazo nouo nem velho.
(...)aos XXX
dias de setembro ano do nacimento de nosso senhor lhuxpõ de mjll &
qujnhetos & quatorze.//.//
E vay escpito ho originall em dez
folhas & dez Regras sob escpito & assignado por o dito Fernã de
pina."
A Igreja do
Senhor Bom Jesus, templo quinhentista, cujo aspecto actual se
deve a remodelações e acrescentos feitos no segundo quartel do Séc. XVIII,
estes atribuídos a Nasonni, rica na sua talha dourada, possui
três naves separadas por
arcos de volta inteira sustentados por colunas jónicas.
Estas
suportam a cobertura do templo que é revestida a painéis de
madeira.
Dos sete altares, o principal é dedicado ao Senhor,
sendo de realçar num deles, a representação da Árvore de Job.
A capela-mor é revestida a talha dourada, que se estende
até ao tecto, aos lados e ao arco-mestre.
Exteriormente o templo
destaca-se pelas suas duas simétricas e imponentes torres
sineiras.
No adro, dois fontanários e seis capelas com diversas
cenas dos Passos da Paixão enriquecem o conjunto.
Nesta Igreja
encontramos a imagem do Bom Jesus de Matosinhos, uma das
mais antigas imagens de Jesus.
Inicialmente depositada no
Templo de Bouças, corria o Séc. XVI, quando, devido
ao estado de ruína em que o mesmo se encontrava, tornou-se
imperativo a construção de nova igreja em cujo altar mor,
até hoje se queda a vetusta imagem.
Este novo templo,
cuja construção foi atribuida ao "imaginário" João Rumão
por contrato de 1 de Julho de 1559, deveria estar concluído
após 4 anos.
Corria o ano de 1572 e a obra continuava por
concluir. O povo está desagradado. A Universidade de
Coimbra, retarda pagamentos. O Bispo do Porto,
impõe-se: ou o ilustre "imaginário" termina a sua obra, ou terá a
suas expensas, todos os custos excedentes.
Assim, é contratado
novo "imaginário", o arquitecto Tomé Velho, com cuja
colaboração, após 20 longos anos se termina a obra, em 2 de
Junho de 1579.
Ainda relacionado com
a Igreja do Bom Jesus está o Padrão existente no
lugar do Espinheiro, que assinala o lugar onde a imagem
terá aparecido.
Embora existam
dúvidas quanto à data da sua construção, é provável que esta
esteja relacionada com as obras de ampliação da igreja de
Matosinhos no Séc. XVIII.
O Senhor do Padrão,
monumento em granito, com arcos abertos nas quatro faces laterais,
alberga um crucifixo ladeado pelos quatro evangelistas.
É monumento
Nacional desde 1977.