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- Lavra, tem ligado à sua história uma anta
datada, provavelmente, do terceiro milénio a. C.. Dela,
restam dois esteios, expostos no exterior do Museu Paroquial.
Outro indício
importante, o Castro de Angeiras, é datado da Idade do
Ferro, estando localizado próximo do Rio Onda.
Da
época romana, (Baixo Império Romano Sécs. II / IV d. C.)
ficaram os tanques destinados à produção de conserva de peixe (salga
e garum – condimento utilizado pelos Romanos). Encontram-se
ao longo da praia de Angeiras, num total de 22
distribuídos por 4 grupos. São conhecidos depois de 1965
e estão classificados como Monumento Nacional.
Infelizmente, localizá-los não é tarefa fácil, uma vez que o nível
das águas do mar, é actualmente mais elevado que na época em que
os mesmos foram construídos, (Séc. II a Séc. IV d.C.)
A grande percentagem
de iodo, faz com que as suas praias sejam recomendadas para
tratamento de várias doenças, nomeadamente as dos ossos
Região fértil, não
lhe é alheia o adubo feito com a mistura de caranguejo e do
sargaço, mistura essa que contribuiu desde sempre para a grande
produtividade das suas terras.
Para a sua apanha,
pequena mas significativa comunidade piscatória se fixou nas suas
praias, em Angeiras.
O Obelisco da
Memória, estando a dividir Lavra com Perafit a,
é, pelas gentes desta terra, também reclamado como seu. Este
monumento situa-se na praia da Arenosa e relembra o
desembarque de D. Pedro IV no dia 8 de Julho de 1832,
com as suas tropas (7.500 homens dos quais 4.000 seriam
estrangeiros – belgas , ingleses e alemães).
Nos anais da história
fala-se também do Convento de Lavra, que quem sabe se tanto
pelo saque, como pela intempérie, não chegou aos nossos dias. È
citado numa escritura de 897, em que D.Gondesindo
faz a este convento, uma importante doação, uma vez que sua filha
D. Adosinda, após enviuvar lá se tinha feito religiosa.
Da antiga Igreja
Paroquial de Lavra, tirando os registos constantes no
livro das Visitações, nenhum outro documento lhe faz referência.
Nada se conhecendo
sobre a sua origem e antiguidade,sabe-se, porém, que era pequena,
escura e velha.
As Inquirições de
D. Afonso III, informam-nos que na primeira metade do Séc.
XIII, Lavra já tinha Igreja e Pároco.
Nela, havia um
Altar dedicado ao Nome de Deus, sendo a Capela Mor, revestida
a azulejo feito em Lisboa na data de 1662.
A Igreja Matriz,
data de 1721 e é da autoria do mestre-pedreiro Domingos
Pires de Matos.
Com talha de 1738, 1750 e
1755, foi remodelada em 1926.
No jardim, defronte à
mesma, mandado erigir pela Junta de Freguesia, podemos ver
o busto do Dr. José Domingues dos Santos, natural desta
freguesia, Advogado, Jornalista, Professor e 1º. Ministro.
Filho de José Domingues dos Santos e de Maria Duarte de
Oliveira, humildes mas honrados lavradores, nasceu a 8 de
Maio de 1887 na Rua da Tulha, (por de traz da Igreja)
numa casa hoje já demolida.
Frequentou o seminário, mas concluindo
não ter vocação para seguir o sacerdócio, foi para Coimbra
onde se formou em Direito. A 28/06/1919, é escolhido
para Ministro do Trabalho, pelo então 1º Ministro Sá
Cardoso. A 26/06/1920,é nomeado pelo 1º Ministro
António Maria da Silva, para estar à frente do Ministério
do Comércio mas, em 29/11/1920, com o novo Governo
chefiado por Liberato Pinto, pela 2ª vez é nomeado
Ministro do Trabalho para mais tarde esse cargo lhe
continuar a ser confiado pelo então Presidente da República
Bernardino Machado, a partir de 02/03/1921. A
22/12/1923, o Governo presidido por Álvaro de Castro,
convida-o para Ministro da Justiça. Posteriormente, o
Presidente da República, Teixeira Gomes, por indicação
da Junta Consultiva e do Directório do Partido
Democrático, nomeou-o para 1º Ministro, lugar de que
tomou posse a 22/1l/1924. Em 1927, tendo participado
na Revolução contra a Ditadura, acabou por se ter de exilar
em França desde essa data até 1954. Regressado a
Portugal, faleceu a 16/08/1958 com 78 anos,
encontrando-se sepultado no Cemitério de Lavra, Paróquia da
Freguesia que o viu nascer.
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