- Guifões,
freguesia localizada na margem sul do Rio Leça, famosa (até
no estrangeiro)pela sua pedra granítica, é rica em património
histórico e arqueológico.
Esta freguesia está incluída no
"maciço antigo" (plataforma rígida que se vai inclinando até
ao mar) formado essencialmente por rochas eruptivas, tais como:
granitos de 2 micas, biotite e moscovite, que se terão formado há
cerca de 360 milhões de anos, no Período do Carbonífero
da Era Paleozóica, e rochas metamórficas, como xistos
com cerca de 590 milhões de anos, formadas no Período
Câmbrico.
Com interesse geológico encontramos no Monte
Xisto relevos residuais, os "tors" e os "caus de
blocos" no Monte dos Pipos.
A Sudoeste da
freguesia, no Monte Castelo, encontra-se o chamado
Castro de Guifões, desde sempre conhecido pelas populações
locais, já que até à Alta Idade Média foi habitado e as
suas muralhas, principalmente as duas do período
Proto-histórico sempre se evidenciaram por entre a vegetação.
Este Castro,
como é habitual no Norte do nosso país, tem as suas origens no
Neolítico.
Na zona, encontraram-se monumentos
megalíticos
assim como restos de cozinha e machados de pedra, o que vem
reforçar a ideia dos que defendem a existência de população desde
o Paleolítico.
Aqui se podem ver
três tipos de habitações, distintas tanto na forma como nos
respectivos períodos culturais a que pertencem.
As primeiras, dentro
das muralhas que rodeiam o cume do monte, de tipo redondo, e as
mais primitivas de
todas; seguiam-se as de transição,
arredondadas, ainda, na parte traseira, mas já com estrutura
rectangular e, finalmente, as habitações rectangulares, já
dispostas em grupos.
A confirmar estes
três períodos culturais distintos, temos todo um espólio cerâmico,
pedras de moer, estruturas com mastro central, construção de
balneários a vapôr e necrópole, e vestígios e espólio de produção
metalúrgica.
Encontramos, pois,
três épocas distintas de ocupação: Neolítica, mais
precisamente, Epipaleolítica, (8.000 a.C./ 5.000 a.C.),
Megalítica, (4.000 a.C./2.000 a.C.) e, finalmente,
com as invasões Célticas,a partir do Séc. X a.C. e
com novas incursõ
es nos Sécs. V e IV a.C., constitui-se uma
civilização típica do final da Idade do Bronze.
Nas "Memórias
Paroquiais de 1758", o Cura Ambrózio da Sylva, escreve:
"(...)Esta
freguesia está situada em terra plana, e só della se descobrem as
freguezias vizinhas, que são Sam Thiago de Custoyas Igreja da
Sagrada Religião de Maltha, que fica pella parte do Nascente, e
pello Poente fica a freguezia de Mattozinhos, e Palmeyra, pello
Norte Santa Cruz do Bispo, e Sul com a dita freguezia de
Mattozinhos, e dista esta freguezia âs ditas circunvezinhas menos
de quarto de Legoa em circuito della. (...)Tem esta freguezia
sincoenta, e dous fogos actuaes, e vinte, e sinco alternativos,
que entre todos fazem setenta , e oito. Pessoas tem trezentas, e
vinteseis. (...)"
A Ponte de Guifões
e a Ponte do Carro são dois dos monumentos a visitar nesta
freguesia de Guifões. A primeira, que infelizmente ruiu em
1979, era de três arcos e teria sido construída no
Período da Ocupação Romana.
A segunda,
considerada Monumento Nacional, liga Guifões a
Santa Cruz do Bispo, no chamado Caminho de Santiago.
Medieval, esta ponte é de estilo Românico.
"(...)Tem este Rio
nesta freguezia tres pontes huma de páo, e duas de pedra. A
preimeira de pedra pella parte de Nascente chamada a ponte = do
Carro = faz sahida para a aparte do Norte para a freguezia de
Santa Cruz do Bispo. A segunda de pedra chamada = a ponte de
Gu
ifoens =, pela parte do Poente faz sahida para a freguezia de
Sam Miguel da Palmeyra: esta hé de cantaria, que dizem os antigos
fora feita pellos Mouros; por se achar ainda sem se acabar com tres olhaes(...)"
A Igreja de Guifões, construída em 1699 aparece, na
mesma obra, descrita da seguinte maneira:
"(...) A Igreja desta
freguezia está situada em chaã de hum monte entre tres aldeas
deque se compoem esta freguezia, que são Guifoens, Gatoens e
Costoyas alternativa com a de Sam Thiago Igreja da sobredita
Religião de Maltha.(...) Tem esta Igreja sinco altares: No altar
Mor está o santissimo Sacramento, Sam Martinho, Padroeyro, e Sam
João Baptista. E nos collateraes daparte do Norte Nossa Senhora do
Rozario, e no do Sul Santo Antonio, e Sam Sebastião: E nos outros
mais abayxo no de Norte as Almas, e no do Sul Nossa Senhora da Boa
Morte. Tem esta Igreja duas naves, e tem duas Confrontarias, Nossa
Senhora do Rozario, e Sam Martinho. Esta Igreja hé toda da
Universidade de Coimbra. (...)"
No
Centro Cívico,
encontramos um Pelourinho evocativo das segu
intes datas:
1143- Marco da Independência de Portugal; 1258 –
Inquirições de Afonso III; 1640 – Marco da Restauração de
Portugal; e finalmente 1940 - data do início de construção
deste monumento que pretende lembrar às gerações futuras estas
importantes datas da História de Portugal. Por trás
deste Pelourinho ergue-se o novo e moderno edifício da Junta desta
Freguesia.
Havendo quem defenda
que aqui nasceu, viveu e possuiu as suas terras D. Egas Moniz,
outros apresentam a sua descendência da linhagem dos Viegas de
Ribadouro cuja relação Familiar com a linhagem dos
Sousa (esses, sim, das terras de Matosinhos) era
antiga.
Assim, desde tempos
imemoriais que atraves de casamentos e trocas ou compras de
herdades e salinas, as respectivas honras de cada uma transitavam
entre as estirpes.
Facto é que a sua
neta, Teresa Gonçalves, filha de Gonçalo de Sousa,
possuia inumeras herdades em Gatões, das quais doou várias
à Ordem dos Hospitalários.


Guifões foi também
berço de duas importantes figuras históricas, os irmãos liberais
José e Manuel Passos, ambos deputados e
ministros do Reino, sendo o último, autor do primeiro
Código Administrativo Português.
Descendentes de duas familias de lavradores, os Silva de Guifões e os Silva
de Aldoar, nasceram na Casa De Guifões, antiga casa
solarenga da vestuta Quinta de Guifões. Esta, como é ti
pico
nas familia abastadas, possuia capela própria. Facto pouco
conhecido é que estes dois irmãos tiveram duas irmãs mais velhas,
de nome Maria e Ana que faleceram e outras duas mais
novas que tendo sido baptizadas com o nome das duas primeiras
vieram também a falecer ainda crianças.
Ainda de referenciar,
o Padre Manaça, Joaquim Pereira dos Santos,
natural de Santa Cruz do Bispo, e que muito do seu tempo
dedicou aos melhoramentos da freguesia. Pároco de Guifões
entre 1900 e 1935, foi também Presidente da
Câmara de Matosinhos. Tem monumento erigido no Largo da
Igreja.