- Custóias, aparece, já, no Séc. X, em
documentos onde se podem ver referências a "Costoyas" –
"Custodias".
Horácio Marçal,
aponta documento datado de 967, como sendo o mais antigo
respeitante a este lugar, o qual se refere a um negócio de terras
na villa de Custoyas, junto do rio.
A palavra
Custodias está associada à existência de atalaias,
guardas ou sentinelas para vigilância do território.
No início do século
XI, são feitas diversas doações de propriedades a um pequeno
mosteiro "no lugar de Recaredi, debaixo do monte Custodias,
território portucalence, junto da corrente do rio Leça".
Em 1045, juntamente
com a "villa custodias" as salinas existentes
na foz do rio Leça, são cedidas pelo abade Tudeildus a
alguns presbíteros e monges. Entre 1112 e 1116,
D. Theresa Afonço, faz
doação do mosteiro que compreendia todo
este território, aos "Cavalleiros Hospitalários da Ordem
de S. João de Jerusalém".
A já referenciada
Ponte D. Goimil é-nos apresentada em azulejos delicadamente
executados e expostos no coreto do jardim da antiga feira de
Custóias,- Largo d
o Souto -, já que a actual se repete,
semanalmente num outro local bem mais espaçoso, junto das Escolas
.
A sua Igreja
Matriz, sede de Vigairaria e posteriormente Abadia,
foi demolida devido ao seu mau estado, e substiruída pela actual
Igreja Paroquial.
Esta, datada do
início do século XVIII. Barroca, tem o seu aspecto
exterior marcadamente oitocentista, fruto das modificações
sofridas no século XIX.
Na fachada exterior,
destaca-se a imagem de Santiago, padroeiro da freguesia.
No interior da
igreja, num estilo barroco caracteristicamente português com a sua
belíssima talha dourada, destacam-se no altar-mor as
imagens de S. Gonçalo e de Santiago em madeira
policromada.
A admirar ainda, o
tecto da nave em painéis de madeira pintados com cenas bíblicas,
assim como a imagem de Nossa Sra. de S. Gens (a qual passou
a ser invocada como N. Sra. da Nazaré), e que foi para aqui
trazida após a demolição da Capelinha que existia no topo
do monte com o mesmo nome quando este foi transformado em
pedreira.
A Casa de Sam Thiago está no espaço físico, outrora
pertencente ao Meio Casal de Justa Gonçalves.
Descendente desse
Meio Casal nasce em 1717 uma menina q
ue viria a casar
com Domingos G.onçalves Lopes que, instituindo o
regime de Morgadio, passou a casa e a Família a
denominarem-se "Morgados de Santiago".
Após algumas
gerações, foi passada carta de Brasão de armas ficando o
brasão de granito a encimar o portão nobre da Casa de
Santiago.
A Casa dos Leões
é, tambem
ela, dos finais do Séc. XVII.
Uma carta redigida
pelo rei D. João II, datada 25 de Agosto de 1484,
demonstra a importân
cia estratégica do Monte de S. Gens, em
Custóias; assim dita:
" Aos Juízes e
Oficiais. Nós El Rei vos enviamos muito saudar. Por assim cumprir
ao nosso serviço que logo, nesse julgado de Bouças ordeneis uma
atalaia em Sam Gens para dar fogo(...).os fogos que a vossa dita
atalaia háde fazer serão desta maneira, a saber, de noite fogo e
dia fumaças. E isto tantas vezes quantos forem os navios que
virem, como já dito é e as caravelas e barcas que daí forem ao mar
a pescar quando tal frota acharem virão logo dar recado a aviso a
essa vila".