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Esta região, toda ela, é
vestígios das mais recuadas eras. Do período Paleolítico
ficaram depositados em várias localidades, nomeadamente e comcerca
de cinco mil anos, núcleos megalíticos comprovados
nas documentadas antas de Perafita, S ão Gens e
Antela.
No “mons custodias”, aliás Monte de
S. Gens , mais comunmente conhecido como Monte Custóias,
encontravam-se, ainda nos finais do Séc. XIX, antas,
antinhas, mamoas ou fornos dos mouros,
monumentos megalíticos que foram construídos pelas primeiras
comunidades pastoras ou agrícolas que povoaram esta região.
Constituídas por uma câmara
formada por lajes de pedra e tapada por uma grande laje, coberta
por um monte de terra e pedras, as mamoas , julga-se
datarem dos inícios do IIIº e do IIº milénio A.C. Nelas, os
mortos da comunidade eram sepultados.
No final do século IV A.C.,
Idade dos Metais, por todo o território português começam
a surgir povoados, que se fixam no alto de montes e que para se
protegerem constroem muros e fossos. Estes são conhecidos como
Castros, destacando-se pela sua área descoberta e espólio já
recolhido, o de Guifões. Encontramos, em documentos
medievais, diversas referências aos Castros que teriam
existido nos lugares de Esposade , Matalto e
Monte de S. Gens e que pertenceriam ao povo dos Callaeci.
A
civilização castreja, cultura específica da Península
Ibérica, com raízes no Neolítico, terá ocupado o
território hoje pertencente ao Concelho, deixando no
Monte Castêlo, o Castro de Guifões. Este é composto por
conjuntos de várias habitações cercadas por várias linhas de
muralhas, isto é, um povoado fortificado. Nele encontramos três
tipos de construção, que, por si próprias, nos ilustram o processo
de romanização da área. As habitações de forma redonda, com
mastro central de suporte e cobertura de madeira ou de colmo serão
as mais antigas e datarão do séc. V e IV a.C. A influência
romana aparece já patente nas habitações de forma rectangular mas
arredondada nas traseiras. O Período da Ocupação Romana é
completamente ilustrado nas habitações grandes, rectangulares ,
com banco corrido à volta da sala, para a assembleia. Os
arruamentos, são agora ordenados e geométricos e a cerâmica usada
a “siggilata”. A maior parte dos artefactos encontrados
neste Castro, datam deste último Período. Dada a sua
proximidade do mar, e o facto de se localizar no topo do Monte
Castêlo, elevação de grande importância estratégica, o povoado
deste Castro seria vocacionado para a exploração de
recursos litorais e para a activi dade
comercial.
Este Período permanece
ainda bem documentado através de vias e pontes, tais como a
Ponte da Pedra e a Ponte de Ronfes ou da Azenha, na
freguesia de Leça do Balio. Encontramos também referenciada
em documentação medieval a Via Veteris. Na Idade Média,
esta via era utilizada pelos peregrinos que se dirigiam a
Compostela.
Famosos são também quatro grupos de “ tanques
cavados nos rochedos” (nas praias de Angeiras e
Lavra – penedo da Borrenta), datados do Baixo Império
Romano e assoreados pelo mar. Mais precisamente apontados para
uma época que estará entre os séculos II e IV depois
de Cristo, terão servido para a produção de garum, uma
pasta de vários peixes que era um aperitivo muito apreciado pelos
romanos. Há quem lhes atribua uma outra finalidade: tanques de
salmoira.
Da Alta Idade Média, ficaram no Lugar de
Montedouro, um grupo de sepulturas cavadas na rocha
que são testemunhos de uma cultura funerária paleo-cristã.
À história de Matosinhos
associa-se a do Mosteiro de Bouças. Este mosteiro terá sido
construído entre 920 e 944, em Sendim, com a vinda
dos Beneditinos para Portugal.
Em 1115 e 1120 o
Mosteiro de Boucis já era mencionado nos breves papais.
Neste Mosteiro se quedou durante séculos a Imagem do Bom
Jesus.
Com a deterioração do Mosteiro de Boucis, a
Universidade de Coimbra, a quem pertencia o padroado de
Matosinhos por concessão do rei D. João III, decidiu
construir nova Igreja (Igreja do Bom Jesus), iniciada em
1542 e concluída em 1550, para onde a imagem teria sido
transferida.
Monumento medieval por excelência é o
românico-gótico Mosteiro de Leça do Balio, que viria a
ser a primitiva sede dos Hospitalários em Portugal.
Também mediev ais são a Ponte do Carro, que liga Guifões a Santa
Cruz do Bispo e a Ponte de D. Goimil em Custóias,
ambas sobre o Rio Leça.
Por esta última, belíssimo exemplar
medieval, situado perto de Esposade, provavelmente
construído entre os séculos XII e XIII, terá passado a já
referenciada Via Veteris.
Após a Restauração da
Independência em 1640 e face à necessidade de defesa da
nossa costa dos ataques espanhóis e piratas, edificou-se uma série
de fortalezas junto ao mar.
Juntamente
com os Fortes, de S. João da Foz, junto à foz do
Rio Douro e do S. Francisco
Xavier no Castelo do Queijo, construiu-se o Forte de
Nossa Senhora das Neves em Leça da Palmeira,
situado em frente a uma das entradas do porto de Leixões junto
da marina, sendo esta construção um baluarte do Séc.
XVIII. Aqui,
encontra-se hoje instalada a Capitania do Porto de Leixões.Todo
este conjunto, constituía uma forte linha de defesa da orla
marítima desta região.
No século XVIII foi
marcante a passagem por este Concelho do arquitecto Nicolau
Nasoni, responsável por vasta obra, salientando-se a Quinta
de Chantre em Leça do Balio e o renovar de alguns
traços arquitectónicos na seiscentista Quinta do Bispo
em Santa Cruz do Bispo. Embora não sendo obra de Nasoni,
a Quinta de Fafiães, imóvel de rara beleza e valor, tal
como a do Bispo, foram classificadas como de interesse
público em 1977. Em 1978, a Quinta do Chantre,
recebeu também a mesma classificação.
Só em 1853 se constituiu
a Vila de Matosinhos (com Leça da Palmeira) para
onde transferiram a sede do Concelho.
Sendo Álvaro de Sisa Vieira
natural deste Concelho,( e não esquecendo o ditado popular
- em casa de ferreiro, espeto de pau - ) não foi a sua terra, mas
sim Marco de Canavezes e o Vaticano, os locais
presenteados com igrejas por si projectadas.
Como pequena pérola, de costas
voltadas para o mar, a Capela da Boa Nova, também conhecida
como Capela de S. Francisco, exprime, conjuntamente com o
Salão de Chá da Boa Nova, uma concepção
artístico/paisagística, harmoniosamente integrada no espaço
circundante.
Este
último, tal como as piscinas de mar que lá perto se situam, foi
concebido por este expoente da Arquitectura Portuguesa do
Séc. XX.
Matosinhos
foi reunindo um vasto e fabuloso património arquitectónico-religioso desde a Alta Idade Média até aos
nossos dias. (...).”
Nestas terras à beira mar
plantadas nasceram e viveram personagens ilustres tais como:
(1801-1862) Passos Manuel - Político Liberal, Ministro do
Reino 1836/1837, Grão Mestre da Maçonaria do Norte 1832/1850;
(1856-1923) Basílio Teles - Pensador Republicano;
(1867-1900) António Nobre – Poeta cujo o nome se
imortaliza em Escola Secundária do Porto; (1870-1958) Óscar da
Silva - Compositor, Pianista; (1872-1930) António Carneiro
- Pintor; (1880-1934) Teixeira Rego - Pensador,
Pedagogo; (1883-1936) Leonardo Coimbra - Filósofo;
(1885-1950) Guilhermina Suggia - Violoncelista; (1889-1946)
Abel Salazar - Cientista, artista, escritor; (1891-1977)
Armando Leça - Etnomusicólogo; (1894-1930) Florbela Espanca
- Poetisa; (1908-1988) Arménio Losa - Arquitecto;
(1910-1976) Augusto Gomes - Pintor; (1911-1975) Fernando
Pinto de Oliveira – Prés. Câmara Municipal de Matosinhos
1958/1970; (1912-1987) Guilherme Castilho - Diplomata,
Ensaísta; (1921-1983) João Guedes - Actor; (1933) Siza
Vieira – Arquitecto.
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