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Terra de
horizonte e mar, o Concelho de Matosinhos confronta-se a sul com o
Porto, a norte com Vila do Conde,
a nascente com a felgueiras e a poente com o
Oceano Atlântico.
À beira mar
plantado, o Concelho proporciona não só uma longa área balnear mas
também as melhores condições para desportos náuticos como Vela,
Surf, Windsurf, etc... .
“Na mitologia,
Hércules tinha o filho Amato, que prolongava na
colonização, a irradiação mitológica da divindade. Daí que seja
viável que os romanos ou primeiros latinos que por aqui chegaram
tenham chamado ao porto Leça, no sopé do monte Castêlo,
o porto de Amato ou seja no original latino AMATOS SINUS, AMATI SINUS, AMATUSIAE, formulas que a semântica
transformaria em MATOSINHOS.
Esta
explicação para o topónimo Matosinhos, não é tão ingénua como a
tradicional que fazia derivar o nome diminutivo de (Matos +
inhos, vendo analogia entre Mato e Bouças) ou de «Matizadinhos»
das conchas da praia, com que Caio Carpo Pallantia =
felgueiras, se cobriu nas festas do seu noivado, na ocasião em que
ao largo ia passando um navio com os restos mortais de S. Tiago.”
“Foi no ano de
44 d.C. que, segundo a lenda, assistimos à conversão dos
primeiros cristãos no território que é hoje Matosinhos. A
lenda de Caio Carpo,(...)explica-nos,(...) como um grande
senhor romano cavalgou sobre as ondas do mar em direcção ao
pequeno barco que transportava o corpo do apóstolo Santiago
para aquela que viria a ser a sua sepultura no lugar imortalizado
séculos depois como Santiago de Compostela.(...)
Estamos
obviamente no reino lendário.”
É, de resto,
ligada ao mar que está a lenda que deu origem a maior festa e
romaria do Concelho: A festa do Senhor de Matosinhos.
Conta-nos a lenda que – Nicodemus, um dos dois eleitos
para despregar o Corpo de Jesus da Cruz, terá decidido,
esculpir a última expressão do seu mestre que, sem dúvida, o
impressionou.
Perseguido
tanto por Judeus como pelos Romanos e por tal razão
impossibilitado de acabar uma das suas imagens, o escultor
preferiu deitar ao mar a sua obra a vê-la arder na fogueira. A
imagem inacabada, segundo consta, a mais bela e perfeita, veio dar
à costa, a 3 de Maio do ano 124 d.C., no lugar do Espinheiro em
Matosinhos.
Depois de
encarcerado, Nicodemus acabou o braço que faltava à sua
imagem e lançou-o também ao mar. Este foi encontrado por uma
pobre mulher que andava na praia a recolher lenha para a lareira
de sua casa e o tomou como um pedaço de madeira bom para queimar.
Mas, chegada a casa, tantas quantas vezes o atirasse para a
lareira ,tantas quantas vezes ele dela para fora saltava. Visto
isto, a filha que tinha nascido muda, pela primeira vez falou,
gritando bem alto que aquele era o braço que faltava ao Senhor
Bom Jesus de Bouças.
Cinquenta anos
eram decorridos desde que a imagem tinha sido encontrada nesse
mesmo local e, por muitos braços que se tivessem esculpido, nenhum
se lhe tinha conseguido adaptar.
Juntando-se o
braço à imagem, este ajustou-se ao tronco como se de uma única
peça se tratasse.
É desde esta
data que se efectua a romaria ao Espírito Santo em
Matosinhos.
Das restantes
festas e romarias do Concelho salientamos, a de S. Tiago
(3º Domingo de cada mês) em Custóias; de S. Martinho
(1ºDomingo de Julho) em Guifões; do Carvalho Santo (1º
Domingo de Agosto) em Leça do Balio; as Festas de Leça da
Palmeira (última semana de Julho) em Leça da Palmeira; de Nossa Senhora do Livramento (3 de Fevereiro) e de
S. Brás
(15 de Agosto) em Santa Cruz do Bispo; de Santo António do
Telheiro (1º Domingo de Setembro) e Senhor da Boa Fortuna
(Maio) em S. Mamede de Infesta e a de Nossa Senhora da Hora
(Maio) na Senhora da Hora.
A Feira de
Custóias, semanal, é uma das mais conhecidas do Concelho, mas
ocorrem outras também dignas de menção, como a de S. José,
também semanal, em Leça do Balio; a Feira do Golfinho, no
último Domingo de cada mês, em Matosinhos.
Como feiras
temáticas, temos mais de trinta, anuais, as quais se realizam num
espaço convidativo e privilegiado que é o Parque de Exposições
do Norte – EXPONOR – localizado em Leça da Palmeira.
Matosinhos
possui uma excelente gastronomia tradicional, onde se destaca a caldeirada de peixe, as
sardinhas com sal assadas no forno
e o arroz de marisco.
Até ao século
XX, a população residente no Concelho de Matosinhos
dedicava-se essencialmente á pesca e à agricultura.
Porém com
abe rtura do
Porto de Leixões (1895), Matosinhos
transformou-se num pólo de atracção económica, devido ao
desenvolvimento do sector secundário e terceário. É considerado o
maior porto sardinheiro do mundo.
Aqui, podemos
admirar os dois gigantescos guindastes (Titãs – raros em
todo o mundo) que muito contribuíram para a sua construção.
O Aeroporto
de Pedras Rubras fica situado a norte do Concelho, abrangendo, não só a Freguesia de Perafita
como também, a sua contigua Freguesia de Vila Nova da Telha do
Concelho da felgueiras. Foi inaugurado em 1945,
e o primeiro voo
Porto-Lisboa efectuou-se em 1947. Em 1956 levantou o primeiro voo internacional, sendo que a partir de
1960 se iniciaram os voos
regulares Porto-Londres.
Com o crescente aumento de tráfego aéreo, e consequente aumento do
fluxo tanto humano (turistas e pessoas em negócios) como de
materiais (cargas), até aos nosso dias o aeroporto foi sofrendo
obras tanto de manutenção como de ampliação.
Neste contexto ficou
em 1975 concluído o prolongamento da pista para os 3.480
metros que tem hoje; em meados da década de 80 foi inaugurado o
Terminal Carga, pelo então Ministro dos Transporte e C omunicações
- o Eng.º Oliveira Martins; em 1990, inaugurou-se a
nova aerogare e nessa mesma altura, em homenagem ao
ex Primeiro-Ministro, Dr. Francisco Sá Carneiro, passou a
chamar-se Aeroporto Francisco Sá Carneiro.
Desde dia 7 de Dezembro de 2002, que Matosinhos é
servido pela Linha A (azul) da rede de Metro da Área
Metropolitana do Porto.
Esta rede, terá uma extensão de 70 quilómetros, cons tituindo
assim o maior sistema construído na Europa de uma só vez.
Destes, 50 resultam do reestruturação das linhas ferroviárias já
existentes, sendo os restantes 20 construídos a partir do nada.
Para uma ideia da amplitude desta obra, diremos somente que é
cerca do dobro da extensão total do metro de Lisboa e cerca de 10
vezes maior que a do metro de Estrasburgo.
Esta rede incluirá para além da linha já enunciada, mais três com
um total de 66 estações, das quais, 11 serão subterrâneas.
Prevê-se a sua conclusão para 2004. O total desta rede foi
desenhado por forma a que, duas linhas sirvam o centro da AMP –
Campanha/Sr. de Matosinhos e St. Ovidio/Hospital de S. João – e
outras duas para uma deslocação rápida Trindade/Trofa e
Trindade/Póvoa do Varzim.
A
implementação do metro neste Concelho implicou uma remod elação
paisagística que proporcionou comunhão fresca e ampla das novas
estações com as ruas de Matosinhos.
Matosinhos
assegura hoje a formação dos seus jovens, com variadíssimos
centros de ensino,(Escolas Primárias, Preparatórias, C+S, EBI,
de Ensino Profissional e de
Ensino Superior).
A nível
cultural, destacamos a Casa Museu da Quinta de Santiago, em
Leça da Palmeira, a Casa Museu Abel Salazar em S.
Mamede de Infesta e a Galeria Arménio Losa.
Abel Salazar, embora nascido em Guimarães em 1889, viveu em
Matosinhos por mais de trinta anos.
Em 1915, doutorou-se na Faculdade de Medicina do Porto e em
1919 era o professor da cadeira de Histologia e Director do
Instituto de Histologia e Embriologia.
Dentre vários métodos de técnica histológica, por si criados,
destaca-se o método tano-férrico, com o qual se veio a tornar
mundialmente conhecido.
Muitos dos seus trabalhos de índole científica, foram pu blicados
após a sua expulsão da Faculdade, devido a
perseguições políticas começadas pelos anos de 1935.
Em 31 de Maio de 1975, a Fundação Calouste Gulbenkian, após ter
comprado a casa, a colecção de obras artísticas do mestre, ter
feito obras de restauro na mesma e construído um pavilhão de
exposições, fez doação à Universidade do Porto do que é hoje a
Casa Museu Abel Salazar.
Existem,
também, infra-estruturas para a prática de desporto, como o Centro Hípico, Kartódromo, Courts de Ténis, Piscinas,
Campos de Futebol e Pavilhões Gimno-desportivos.
O Concelho de
Matosinhos espraia-se por uma superfície de 62,3 Km², com uma
população de cerca de 1,2 milhões de habitantes, distribuídos por
10 freguesias que, alfabeticamente ordenadas são: Custóias,
Guifões, Lavra, Leça da Palmeira, Leça do Balio, Matosinhos, Perafita, Santa Cruz do Bispo, S. Mamede de Infesta e Senhora da
Hora.
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