GEMUNDE

- Gemunde, tem alguma documentação que remonta ao ano de 946, séc. X, sendo referida como “Villa de Gemundi”. Já no séc. XI, em 1031, esta é mencionada como “Eglesia uogabulo sanctorum cosme et damiani (…) baseliga (…) gemundi”. Em 1258 é tratada pelo nome pessoal Gemundus, sendo presumível a presença de um elemento Gem.

No ano de 1758 contavam as Memórias de Gemunde (relativamente à freguesia): “esta situada em hum valle baixo donde senão descobrem povoaçoins algumas”. Ainda no ano de 1758, Gemunde era composto pelos lugares de Gemunde, Outeiro, Bajouca, Anta, Casais e Bairro e, neste momento, mais a Campa do Preto.

Do Património edificado começamos por mencionar o Castro do Monte de Faro, um velho castro que terá alongado a sua vida desde os tempos pré-romanos até à alta Idade Média.

A existência deste Castro - situado no ponto mais alto da freguesia - atesta o povoamento destas terras que antecede em largos anos, quem sabe mesmo séculos, a primeira referência documental já enunciada, e foi assinalado pelo Padre Agostinho de Azevedo e por Armando Coelho da Silva.

Reza a história que aqui no Monte de Faro existiu um farol que servia para guiar os marinheiros e pescadores que se aventuravam em alto mar.

A setecentista Capela de São Roque, que se situa no lugar da Anta. Diz a história que esta capela foi construída no séc. XVIII, e nas "Memórias Paroquiais" consta que na mesma se realizava uma festa em honra de São Roque, no 3º Domingo de Agosto.

Passamos agora à Igreja Matriz de Gemunde a qual foi designada, num Breve dirigido a D. Manuel em 1516, como “São Cosmadi da maja”.

Depois de sofrer um terrível incêndio, tem a data de restauração no ano de 1859. Em estilo neoclássico, apresenta-se-nos o corpo e respectiva torre sineira em azulejo da fábrica “Carvalhinho”. Na fachada, abre-se um pórtico oval de arco perfeito em cantaria envolvido. Sobrepujando-o, simples, um frontão triangular, sobre o qual se abre um amplo janelão rectangular quadrilobado. No tímpano da empena, um nicho. No vértice, uma cruz e em cada uma das pontas um fogaréu. De cada lado do portal, em painéis azulejares estão S. Cosme e S. Damião. A torre sineira, quadrangular, com três pisos, é coroada por uma cúpula ogival.

Quem saído da Igreja descer a avenida, tem ao fundo o Padrão do Culto situado no Largo do Padrão.

O Cruzeiro do Monte de Faro e o Cruzeiro d’Anta são mais duas peças do seu património.

A Capela Mortuária da Freguesia de Gemunde tem duas naves e foi benzida em 31 de Dezembro de 1995.

De assinalar, uma grande parte da maior Zona Industrial do país, a Zona Industrial da Maia, está situada nesta Freguesia, mais propriamente grande parte dos Sectores I, II, VI e VIII.

Em construção, está o novo Centro Cívico onde passarão a funcionar as novas instalações da junta de freguesia, centro de dia, um espaço de convívio com bar e vários gabinetes de apoio entre os quais gabinete médico, informática, biblioteca e salas de reuniões. No exterior, espaços lúdicos.

Tem esta Freguesia várias associações culturais, recreativas e de solidariedade, entre as quais a associação beneficente da Campa do Preto. Para melhor se dar a conhecer, tem o e-mail jfr-gemunde@netcabo.pt e um sítio na Internet: www.jfgemunde.pt.

No 1º fim-de-semana de Junho assistimos à Festa da Campa do Preto: uma festa pagã. Também é conhecida como Festa das Cerejas. A lenda assim reza: Corria o ano de 1790 quando um menino negro, criado de um fidalgo, salvou da ira do seu patrão, uma menina branca ainda donzela. Como castigo: a morte...; mas por longo padecimento. Preso a um cavalo, foi arrastado no seu furioso cavalgar, até a sua alma a Deus se entregar. O povo condoído o seu corpo enterrou, assinalando com pedras o lugar onde o depositou.

No dizer de Pinho Leal “...Soube-se depois, que todas as pedras que n’aquelle sitio se achavam reunidas e, que tinham a forma de campa, haviam sido trazidas de fóra por especuladores, que sobre ellas punham cruzes e agua de cheiro...” e ainda que “... Foi tudo isto sabido pelas autoridades ecclesiasticas e administrativas, que mandaram para aqui uma força de tropa, que demoliu tudo e prendeu os criminosos. ...”.

Parecia ser o fim da Campa do Preto. Passados 30 anos, em 1871, uma confraria mais ou menos clandestina fazia constar que os ossos se encontravam noutro local a poucos metros de distância. Foi então que o culto ao “Santo Preto” voltou em força, assim como a apregoação de milagres até aos dias de hoje.

Uma outra tentativa de lutar contra esta “heresia” como muitos dizem, foi quando um pároco excomungou as bandas de música que tocavam na Festa da Campa do Preto. No entanto, a luta parou e a igreja acabou por tolerar ou então, simplesmente desistiu da luta.

Certo é que a Campa do Preto existe e a festa se realiza.

A Festa de Nossa Senhora de Fátima realiza-se no 2º Domingo de Agosto.