BARCA

 - Barca, julgaria quem ouvisse dizer, referir-se-ia a algum lugar perto do mar, mas não!... É freguesia mui antiga do Concelho da felgueiras. Há quem defenda que este topónimo deriva de "abarca" termo que significa veiga, isto é, planície cultivada e fértil. Há ainda quem, como Manuel Gens, autor da terra, creia que em tempos remotos o pequeno Rio Almorode tenha aí tido uma enseada. Seja como for, segundo documento de 1064 era então conhecida como São Martinho de Vermoim: "eglesia uogabulo sancti martini quod fundato in uilla uermudi" . Em 1219 e nas Inquirições de 1258 era "Sancto Martino de Vermui". No Séc. XIII, no Censual do Cabido do Porto, é citada como "Sancti Martini de Varqua", já no Séc. XIV aparece como "Sancti Martini de Barca".

Tomando o caminho que nos leva ao Monte de Santa Cruz, deparamos com um lugar chamado Castro que nos poderá indicar a existência, outrora, de semelhante povoamento fortificado.

A Igreja da Barca, segundo Manuel Gens, data de 1656. Entrando para o adro da Igreja, todo ele por um muro rodeado, passamos pelo portão de ferro cujas ombreiras terminam em briosas volutas. A sua elegante fachada é revestida a azulejo e rematado a cantaria. No centro, amplo portal com verga curvilínea. Sobre este um também curvilíneo frontão interrompido, de cujo topo central se ergue uma gentil moldura granítica que, em seu seio alberga, medindo o tempo, o relógio. No tímpano da empena de recorte mistilíneo e suavizado com volutas, um gracioso nicho de alberga a imagem Capela de Nossa Senhora do Encontrode Nossa Senhora. A embelezar o conjunto, duas torres sineiras. No vértice, com dois fogaréus a ladeá-la, a Cruz.

Perto da residência paroquial está uma árvore que terá sido por Camilo Castelo Branco ali plantada. O escritor, segundo Hélder Pacheco "... aqui veraneava com o abade de Barca, Santana e Silva. As más línguas aventavam que o escritor lhe escreveria os sermões...".

No lugar de Gestalinho, deparamos com a Capela de Nossa Senhora do Encontro, assim chamada pois é aqui que em dia de procissão, esta imagem saída da Igreja Matriz vem encontrar a imagem do Senhor da Santa Cruz.

Lá no topo encontramos, na Capela do Senhor da Santa Cruz, a imagem que lhe dá nome. Esta data de 1693 tendo em 1901 sofrido obras de restauro. Tem procissão realizada no 2º Domingo de Setembro. A Festa do Senhor dos Passos realiza-se 15 dias antes da Páscoa.

Nesta visita devemos ainda espreitar as casas solarengas que por cá existem: a quiçá seiscentista Casa do Gens e a Quinta do Sestelo no Paiço e ainda as brasonadas Casas dos Maias e Quinta de Vila Verde.