ÁGUAS SANTAS

Pedra de Ardegães  - Águas Santas, cuja história se perde na bruma da memória, preserva ainda vestígios dos nossos ancestrais. Um dos mais valiosos testemunhos da Arte Rupestre da Idade do Bronze, é a   “Pedra Gravada” decorada com motivos geométricos, e conhecida por Pedra de Ardegães – já que aqui foi descoberta - e actualmente encontra-se exposta no átrio da Faculdade de Ciências do Porto.

Conta a lenda que a Madre Superiora de um Convento ao saber da aproximação dos romanos escondeu a imagem da Virgem Maria junto a uma fonte.

Tempos decorridos, uma mulher que havia ido buscar água à fonte, reparou no invólucro ali junto  resguardado, e qual o seu espanto, ao desembrulha-lo, ver a imagem de Nossa Senhora chorando. O povo ao saber da notícia chamou-lhe Fonte das Águas Santas.

Mais tarde foi construída perto da fonte, a Igreja do Mosteiro de Águas Santas. Esta, será então, a história do nome da Freguesia.

Data de 974, a referência documental mais antiga à Paróquia de Águas Santas, que aparece citada no “Livro Preto” da Sé de Coimbra como “ sanctam mariam de aquas sanctas”. Já a  mais antiga ao vetusto Mosteiro, do qual hoje só resta a Igreja, data de 1120. Este  mosteiro dúplice,  ficava a sul da Igreja de Santa Maria de Águas Santas e mesmo em pobres condições manteve-se até meados do Séc. XIX. Ainda com relação ao seu couto, encontrou-se em casa particular situada na Rua das Arregadas, um marco secular que se julga datar de entre o Séc. XIII e o Séc. XIV. Interessantes ainda, são os cinco sarcófagos monolíticos, que datam dos princípios da Idade Média.

Encontram-se  no adro da Igreja, junto ao muro do cemitério. Um deles, cuja arca de uma só face é levemente abaulada, tem esculpidos um brasão e uma cruz circular. 

Dignos de apreço são também outros imóveis da freguesia. Entre estes, a Capela de N. Sra. de Guadalupe, erguida em 1633 e reconstruída em 1722.

 O templo que ora se ergue, é o resultado da reedificação de 1722, e é marcado por uma simples mas altiva frontaria cujo robusto portal é envolvido num arco de volta perfeita, em alva cantaria, ladeado por duas colunas cilíndricas que sustem a arquitrave lisa. Sobre esta, rasga-se um amplo janelão rectangular, debruado a cantaria.

No seu topo estão gravadas as datas de 1722 e 1633, acima destas, esculpida, a flor de lis. O vértice da empena é finamente esculpido. Sobre este, uma graciosa cruz. Dois fogaréus encabeçam as duas colunas graníticas quadradas que rematam a frontaria a azulejo revestida.

De um lado do portal  pintada em azulejo,  N. Sra. de Guadalupe; do outro S. Domingos. A torre sineira fica do seu lado esquerdo. É também ela revestida a azulejo e,  por baixo do relógio está colocada uma placa, datada de 24-6-1947, em memória de Manuel Gonçalves Lage grande benemérito deste Templo. Acima deste, o campanário.

Entrando, nossos olhos pasmam com o seiscentista Altar-Mor, todo em talha dourada. No centro, N. Sra. de Guadalupe. Do seu lado direito N. Sra. dos Ovos e do seu lado esquerdo Sto. António.

A Capela-Mor é abobadada em calote oval. Esta, como aliás toda a nave central, é delicadamente pintada a fresco, encontrando-se agora em processo de reparação.N. Sra. de Guadalupe; Nossa Senhora de Guadalupe.

De cada lado da capela-mor um altar.

O esquerdo, dedicado a S. Domingos e possuindo no topo uma imagem de Jesus, seiscentista.

O direito, dedicado a S. João de Deus e ostentado no topo imagem de Nossa Senhora, também seiscentista.

A sacristia desta Igreja foi a capela original com a imagem de N. Sra. da Guadalupe (1633) que veio de Espanha.

De notar, também, um inestimável órgão datado de 1827.

A Casa do Frade foi, conforme se constata pela inscrição no dintel da porta da fachada principal, construída em 1733.

Na Casa da Quinta da Corga, o portal ostenta um brasão voltado para o interior do pátio, pois na face exterior está gravado o nome da casa, “Quinta da Corga”.

Perto desta está a Capelo do Sr. Dos Aflitos.

O Solar da Quinta de Granja, foi construído em três fases datando a parte poente do Séc. XVII, a parte Sul do Séc. XVIII e a nascente do Séc. XIX. Serve hoje o Turismo de habitação rural.

Adjacente a este está uma Capela particular construída no Séc. XVIII com devoção a Nossa Senhora da Piedade.

O seu Altar-Mor, ladeado pelas imagens de S. Sebastião e a do Sagrado Coração (em cujo lugar estava anteriormente, a de Sto. António do Séc. XVII), alberga no seu centro uma imagem de N. S. da Piedade do Séc. XVII, esculpida em Castanho e em tamanho natural.

É de autoria de Frei Cipriano da Cruz, mestre entalhador cuja obra mais conhecida é a Pietá, que se encontra no Museu Machado de Castro em Coimbra.

Na Quinta de Corim, destacamos os seus  jardins e a bela escadaria e varandas, cujo  recorte arqui-tectónico há quem atribua a Nasoni.

A chegada do carro eléctrico em 1911 ao Alto da Maia, originou um aumento populacional significativo, pois permitiu a fixação de mais famílias fora do confuso centro. Hoje é atravessada pelas E.N. 105 e a E.N. 208, que se cruzam no Alto da Maia, e pelas auto-estradas Porto-Braga, A3 e Porto-Amarante, A4Águas Santas é a freguesia mais populosa do Concelho, com cerca de 21.000 habitantes e estende-se por 7.645 Km².

As festa populares de Águas Santas são a Festa do Menino no 1º fim de semana de Janeiro; a Festa de Nª Sr.ª dos Aflitos no último Domingo de Julho e a Festa de Nª Sr.ª da Guadalupe no 2º fim-de-semana de Setembro.