
Desde o alvor da memória, encontram-se nesta região, vestígios de vida humana. Das primeiras comunidades humanas, que terão surgido entre o V e o IV milénio a.C., encontramos testemunhos tais como machados e pontas de pedra polida. O período exacto a que estas peças pertencerão, não parece ser de fácil datação, mas com toda a certeza situar-se-á entre o Período Paleolítico e o Período Neolítico. Exemplares destes objectos foram encontrados em Modivas de Baixo, em Azevedo e na Quinta do Paço. Estas comunidades enquadravam-se numa Cultura Megalítica. Nos túmulos colectivos denominados dólmenes, antas ou mamôas, estas enterravam os seus mortos. As mamôas, que se julga datarem dos inícios do IIIº e do IIº milénio a.C., são câmaras abertas edificadas com blocos de pedra encimados por uma grande laje, cobertas por montículos de terra e pedras. Na área do actual concelho da Maia persistiram até aos nossos dias nomes como Mamoela de Nogueira em Nogueira, Anta em Gemunde, Alto da Mamoa (mamôa esta que terá sido completamente destruída pelos anos 40), e Mamoa de Leandro em São Pedro de Fins, esta última a que o Prof. Mendes Correia faz menção, bem como às Mamôas de Ardegães que tal como Agra das Antas se situam em Águas Santas. Nesta altura predominava na Península Ibérica a Cultura Castreja, cultura cujas raízes remontam ao Período Neolítico. Os Castros eram compostos por conjuntos habitacionais cercados por uma ou várias linhas de muralhas, isto é, povoados fortificados. Os mais antigos, datando do Séc. V e IV a.C., eram formados por habitações de forma redonda, com mastro central de suporte e cobertura de colmo ou de madeira. Importantes foram o Castro de Avioso, o Castro da Barca, o castelo da Maia e o Castro de Alvarelhos, por exemplo. Como que a ilustrar o processo de Romanização da Península, surgem-nos posteriormente habitações de forma rectangular mas arredondadas nas traseiras, e finalmente, já no período de efectiva ocupação Romana, vislumbram-se habitações grandes, rectangulares, com banco corrido á volta da sala para a assembleia. Relativamente ás Terras da Maia aparecem documentados os castros de: Monte de Faro (Gemunde) citado na documentação do Mosteiro de Moreira do Séc. XI; do Castêlo (Sta. Maria de Avioso) que segundo o Nobiliário de D. Pedro, foi conquistado aos Mouros pelo mais remoto antepassado da família Mendes da Maia – Alboazar Ramirez. O Castelo da Maia, situado no Alto da Maia em Águas Santas, terá sido um aproveitamento de um castro, que mantendo as muralhas circundantes, se reconstrói, aumenta e renova Idade Média adentro, tal era o seu valor militar. Segundo alguns autores, toda a região que na Idade Média se designaria por Terras da Maia, ainda antes dos Romanos dava pelo nome de Madea. O baptismo derivaria do povo que a habitava – os Madequisenses, e seria de origem indo-europeia significando Terra Húmida. Esta teoria substancia-se na descoberta efectuada em 1972 de uma inscrição numa pedra, que atestava a existência desse povo nesta região. O processo de Romanização da Península Ibérica foi tanto por aculturação como por efectiva ocupação militar, mas no Noroeste Português de acordo com Carlos A. Ferreira de Almeida só se efectivou: “... a Norte do Douro, o «ponto zero» da romanização está pelo menos na época de Augusto, nos anos posteriores à sua campanha conquistadora e pacificadora pelo Norte e Noroeste peninsulares... na região portuguesa de Entre o Douro e Minho vemo-la já bem firme, no século IV...”. Embora dificultada pela bravura e determinação dos povos que habitavam o Norte do Douro, a conquista militar deu-se no ano de 137 a.C. sob o comando de Décimo Júnio Bruto. Conta a história que tendo passado o Douro e o Lima, quando transpunha o Minho foi atacado na retaguarda pelos brácaros (designação que inclui os povos que habitavam as Terras da Maia). Combateu-os e venceu-os. Depois da conquista há um esforço pela pacificação, pois os romanos estavam interessados nas minas de metais preciosos que estes povos possuíam.  Entre as principais preocupações dos Romanos figurava a construção de uma boa rede viária. sendo hoje , a Maia, sulcada por duas importantes vias romanas.,mas nem só pontes e estradas, nos deixou como espólio o grande Império Romano. No Monte do Penouço e em Fonte Boa, encontraram-se quatro lápides; em Alvarelhos, uma ara com inscrição que traduzida assim reza “Saturnino, filho de Caturão, cumpriu de boa mente o voto feito ao Genio” e uma pátera de prata; em S. Pedro de Avioso, apareceu também, uma ara com inscrição dirigida a “Genio” e, em S. Pedro de Fins, permanecem vestígios de uma “Villa” romana. Os romanos introduziram a utilização de novos materiais na construção habitacional. Mesmo os mais pobres, que se instalavam em “Insulae” - espaços com várias casas – as construíam em pedra com telhados em telhas cerâmicas em vez de colmo ou madeira. Os mais ricos construíam “Domus” ou vivendas, mais ricas e elaboradas. Pelas Terras de Palância, posteriormente baptizadas Terras da Maia, passava uma estrada romana, já citada no Itinerário de Antonino, a Olisipo-Bracara, seguindo quase a par e passo ao traçado da EN 14 (ligagava Lisboa a Braga). No trecho Cale-Brácara, (Porto-Braga) encontram-se não só marcos miliários, estando o de Avioso incrustado na berma da estrada, no lugar de Espinhosa, como pontes romanas. Para Norte, passava pela Ponte de Pedra, ( a qual mal conserva ainda meia dúzia das pedras originais), seguindo ao Picoto (hoje centro da Maia), passando ainda pela Quinta do Paiço, onde se encontrou um marco miliário dedicado ao Imperador Adriano. São várias e bem importantes as Necrópoles que se conhecem.
Faremos destaque para a das Bicas, (Vila Nova da Telha) a da Quelha Funda (Gueifães) e a da Forca (Santa Maria de Avioso). Parecendo ser todas elas atribuíveis ao Séc. IV d.C., e havendo objectos cerâmicos a comprovar a sua existência, destacaremos a da Forca que forneceu, também, algumas moedas. Óbvio se torna que, à existência de necrópoles (i. é cidades dos mortos) nas regiões, teria de corresponder a existência de povoados (i. é cidade dos vivos). Aos Romanos sucederam os Alanos, Vândalos e Suevos, que tal como os primeiros, para esta área vieram em busca de metais preciosos. Com o domínio dos Visigodos sobre o Suevos, a Península Ibérica ficou politicamente unificada e estabeleceu-se o Cristianismo. Espelhando este fervor cristão, temos nobre e vetusto templo – a Igreja de Santa Maria de Águas Santas. O Mosteiro, se existisse, dataria do Séc. VI. Também o Mosteiro de Moreira é anterior à nacionalidade, datando do Séc. IX. As invasões mouras não demoraram, pois, desafiados pelo esplendor das suas riquezas e posicionamento, os mouros atacaram. Mohamed Almansor, Almançor ou Al-Mansur, consoante os autores, (939-1002) foi regente do reino de Córdoba e famoso capitão dos mouros de Espanha. Tendo sido o mais célebre chefe Muçulmano da Península Ibérica dominando os seus destinos desde 976, empreendeu 52 campanhas contra os cristãos tendo saído vitorioso de todas elas. A documentação da época (Séc. VIII/Séc. XI) fala-nos do território de Anégia, o qual ocupava um espaço que ia desde as terras superiores do rio Ferreira, aos vales do rio Sousa e do rio Tâmega, passando para o Sul do rio Douro até metade do rio Paiva. A rodeá-lo, ficavam os territórios da Feira, Lamego e Portucale.
Todo este território, centro administrativo de um extenso julgado, foi tomado por Almançor em 995. Em 985 tendo conquistado Barcelona, destruiu-a pelo fogo; em 987, conquistou Coimbra e, 10 anos passados, em 997 chegou a Santiago de Compostela, cujo templo destruiu. Diversas crónicas referem as suas campanhas no Castelo de Aguiar de Sousa, tendo sido neste local que sofreu as suas maiores derrotas. A lápide aí colocada em 1940 tem a seguinte inscrição: “Junto das ruínas deste Castelo tomado pelos Cristãos ao Almançor nos arrebois da Pátria, foram comemorados o 8º Centenário da Fundação e o 3º da Restauração de Portugal. Aguiar de Sousa - Paredes”. As Reconquistas Cristãs não tardaram e é neste contexto que a Família Mendes da Maia grava o seu nome na História. 
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